Preço da carne em ritmo de recuperação
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quarta-feira, 02 de abril de 2008
Gisele Mendonça<br>Especial para a FOLHA 
Depois de um duro período de crise entre 2002 e 2006, o setor pecuário vive um ritmo de recuperação de preços com previsões animadoras. Nos últimos dois anos, segundo análise da Scot Consultoria, de São Paulo, o boi gordo registrou alta de 59% no Paraná, com a arroba passando de R$ 46,00 em junho de 2006 para R$ 73,15 em março deste ano.
A boa notícia para os produtores é que a tendência para o restante de 2008 e 2009 é o mercado continuar em alta, com bom ritmo de valorização. É claro que em algum período ou outro o preço do boi vai recuar, pois a oferta aumenta. Mas podemos dizer que ao longo desse tempo (2008 e 2009) ele tende a variar acima da inflação, analisa Fabiano Tito Rosa, zootecnista e consultor da Scot.
O alerta vale para 2010, já que em função da retomada de investimento no setor pode haver um aumento na produção, o que exerce influência sobre os preços. Não é que em 2010, os preços devam começar a cair, mas é preciso tomar mais cuidado, esclarece o consultor. Temos que ver também se a economia mundial vai manter um bom ritmo de crescimento, se o consumo vai se manter aquecido, se não vai ter nenhum plano de acesso a alguns mercados. Isso tudo pode influenciar mais para a frente.
A crise iniciada em 2002 foi devido ao aumento da produção de bovinos no país. O produtor aplicou tecnologia, a pecuária se expandiu e os preços despencaram. Entre 2004 e 2006, ainda houve influência negativa da desvalorização do real, febre aftosa e a crise da gripe aviária, que fez com que os exportadores direcionassem parte da produção de frango para o mercado interno. Aí o preço do frango caiu e a carne teve que acompanhar o seu principal concorrente, lembra Tito Rosa.
Ao longo desse período de crise o produtor reduziu investimentos em tecnologia, além de descartar as matrizes na tentativa de sustentar o caixa. Essa atitude tomada num momento de crise refletiu num ajuste de produção, que diminuiu, e fez com que os preços começassem a se recuperar em meados de 2006, detalha o consultor.
Hoje, essa recuperação tem levado a uma retomada de investimentos no setor pecuário, o que, a longo prazo, pode fazer com que a oferta volte a aumentar. E quando isso acontece, sempre há um reflexo negativo em termos de preço, afirma Tito Rosa, lembrando que aí entra o alerta a partir de 2010.
Por enquanto, porém, como reflexo do ajuste produtivo e do início de um movimento de retenção de matrizes, a Scot Consultoria estima uma retração de 1,7% para o abate total de bovinos, no Brasil, em 2007. Foram cerca de 47,25 mil cabeças em 2006, contra 46,46 mil cabeças no ano passado. Para 2008, a queda deve ser ainda maior.


