Preço da cana poderá chegar a R$ 30 a tonelada Expectativa é de aumento da demanda por álcool no próximo ano
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sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Reportagem Local 
O preço pago ao produtor pela tonelada de cana-de-açúcar, atualmente entre R$ 18 e R$ 20 no Paraná, poderá atingir níveis mais remuneradores na próxima safra (2003/2004), diante das perspectivas de aumento da demanda dessa matéria-prima, como resultado do incremento da atividade sucroalcooleira no País.
A estimativa é da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar). Segundo diregentes da entidade, as usinas paranaenses já estão trabalhando com projeção de preços ao redor de R$ 30/tonelada, baseadas em estudos feitos pelo Consecana (Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e álcool do Estado do Paraná). O Consecana reúne-se uma vez por mês desde o início de 2000 para acompanhar a variação das cotações de álcool e açúcar e estabelecer os preços da matéria-prima.
O superintendente da Alcopar, José Adriano da Silva Dias, diz que o setor está vendo o próximo ano com ''muito otimismo''. Segundo ele, além do aumento na procura por carros a álcool nas concessionárias, os proprietários de veículos a gasolina estão adicionando por conta maior volume de álcool nos abastecimentos, na prática conhecida como ''rabo de galo''. ''Tudo isso está incrementando a demanda pelo combustível'', comenta Dias.
As destilarias, contudo, estão de olho no mercado internacional, que se mostra promissor devido ao interesse de países como Japão, China, Tailândia e Coréia, entre outros, em também adotar a adição de álcool à gasolina.
A Reunião Rio+10, que está sendo realizada na África do Sul, também deverá contribuir para alavancar o consumo de álcool, avalia Dias. Para adequar-se ao Protocolo de Kyoto, a Alemanha deverá anunciar um acordo com o Brasil para financiar a reativação do Proálcool e a produção, de imediato, de 100 mil unidades de carros a álcool no País.
O açúcar brasileiro, apesar das baixas cotações internacionais no momento, em razão do excesso de oferta, destaca-se com o preço mais competitivo em todo o mundo, entre US$ 170 e 180 a tonelada'', observou Dias.
Se a tonelada de cana chegar mesmo a R$ 30 em 2003, ela será ainda mais rentável que a própria soja. Em um hectare, com produtividade média de 80 t, será possível obter um faturamento bruto de R$ 2,4 mil, enquanto a soja, com média de 50 sacas de 60 quilos por ha e mesmo na cotação atual de R$ 34/saca, garante um rendimento bruto não superior a R$ 1,7 mil.
Falta de chuva Este ano, a produtividade das lavouras de cana-de-açúcar foi afetada, na região Centro-Sul do País, pela irregularidade do clima e períodos de estiagem.
A expectativa de produção está entre 264 e 270 milhões de t, contra uma previsão inicial de 272 milhões, feita no início do ano. Na safra passada - que também sentiu os efeitos da seca e da geada de 2000 - a produção foi de 242 milhões de t.
No Paraná, onde há 319 mil ha cultivados e a previsão inicial era de colher 25,5 milhões de t, revisão feita pela Alcopar no início do mês apontou redução de 2,4% na colheita realizada até então, mas a segunda metade da safra é que deverá sentir mais, por ter sofrido falta de chuvas no final de 2001 e de fevereiro a maio deste ano. Em algumas regiões, a perda poderá chegar a 15%.


