Diferente do mercado estabilizado do boi de corte, o de bezerros tem registrado alta de até 20% nos últimos dias. Num dos leilões realizados durante a 47Exposição Agropecuária de Londrina, um lote de 32 bezerros alcançou a maior cotação do remate, R$ 19.200,00 (R$ 600/animal).
Na região de Jacarezinho, o pecuarista Lourival Fiates afirma que a nova demanda praticamente esgotou o número de animais que estavam disponíveis para venda. ''Bezerros de desmame, que há 20 dias eram vendidos por R$ 370 estão agora por R$ 500 e quem está a procura dos animais pode desistir, pois não irá encontrar mais'', garante.
Ricardo Pulzatto, diretor de atividade pecuária da Sociedade Rural do Paraná, explica que a reação nos preços dos bezerros é reflexo da mantança de matrizes ocorrida há pouco mais de dois anos. ''Na época, o baixo preço dos bezerros desestimulou os criadores. Houve quem optou por não promover cruzamentos e outros por matar as fêmeas. Com isso há realmente falta desses animais no mercado''. O processo, como afirma, faz parte dos ciclos da pecuária.
Gustavo Fanaya, do Sindicarnes explica que a pecuária é dividida em diferentes mercados, como o do bezerro, o de recria, o de engorda. E a reação de um não influi diretamente no comportamento do outro. ''Um bezerro demora mais de um ano para ficar pronto. Quem está investindo nos bezerros está apostando em bons preços para quando o animal estiver acabado. Tomara que estejam certos'', diz.
Outro pecuarista consultado pelo FOLHA está mais otimista. Segundo ele, a alta dos bezerros confirma a falta de bois prontos no mercado. ''Teremos alta no preço da carne bem mais cedo do que se prevê'', assegura.

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