Preço alto do feijão favorece poucos
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sexta-feira, 04 de junho de 2010
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
O preço alto pago ao produtor de feijão do Paraná nos últimos dois meses é favorável a muito poucos. É que nesta temporada 2009/10, os agricultores que investiram na produção da 1 safra do grão ficaram decepcionados com os valores recebidos no começo do ano e muitos decidiram não plantar a leguminosa da 2 safra. E é exatamente essa que tem remunerado melhor o produtor. Entre abril e maio, alguns chegaram a receber entre R$ 150 e R$ 160 pela saca de 60 quilos, praticamente o dobro do preço mínimo estabelecido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em R$ 80. Essa semana, o preço ficou em torno de R$ 102 a saca do feijão de cor e R$ 70 a do preto.
''Houve um desestímulo por parte dos produtores na 2 safra, muitos ficaram sem plantar porque a produção da primeira fase, que foi alta, não recebeu o devido apoio do governo, o preço caiu e quase ninguém teve lucro'', analisa Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar e presidente do conselho do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe).
Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), apontam que a 1 safra rendeu 480 mil toneladas, em uma área de 317 mil hectares. Já a 2, com cerca de 70% da área colhida, foi plantada em 186 mil hectares, com produção de 294,5 mil toneladas. Nesse caso, o resultado é 29% e 19% menor, respectivamente, que a temporada 2008/09. A 3 safra, cujo plantio já está bastante avançado, tem previsão de área 10% menor que o ano passado, perto de 7,5 mil hectares e produção de 7,6 mil toneladas, 42% maior por sua vez.
Os valores pagos nas últimas semanas, contudo, além de beneficiarem poucos produtores, refletem diretamente em quem está na outra ponta: o consumidor. No varejo paranaense, o quilo do produto saltou em média de R$ 1,95, em janeiro, para R$ 3,13, em maio, acréscimo de mais de 60%. Apesar desse reajuste, Luders pondera que um valor de até R$ 5 pelo quilo do feijão é um limite confortável e não indica queda de consumo. E o consumidor pode se preparar para continuar pagando mais caro pelo feijão porque a tendência é que o preço pago ao produtor continue em alta nas próximas semanas.
Outro problema que a situação atual do mercado do feijão pode provocar é um aumento desequilibrado da área de produção da 1 safra da temporada 2010/11, que começa a ser planejada. E consequentemente excesso de oferta do grão, provocando a queda dos preços e prejuízos para quem investiu. Pensando nisso, o Ibrafe já fez um alerta durante a última reunião da Câmara Setorial do Feijão, em Brasília, sobre essa questão. ''Quando o feijão está em mais de R$ 100 a saca e milho e soja com baixa liquidez, indica que a oferta do grão aumentará e o preço poderá cair. E isso não é positivo'', frisa Luders.
O representante do Ibrafe aponta a necessidade do Governo se preparar para amparar o produtor na próxima safra. E aí entra outro dilema, já que o governo tem acenado com a possibilidade de reduzir o preço mínimo pago ao produtor. De qualquer maneira, o órgão recomenda cautela ao agricultor. Antes de definir o tamanho da área a ser plantada na temporada 2010/11, é preciso observar o movimento dos demais agricultores, pois se muita gente decidir produzir feijão é sinal de um mercado complicado no futuro. Além disso, faz necessário observar se haverá a incidência do fenômeno climático La NiÀa, que pode provocar estiagem e consequentemente perdas na lavoura.
Recuperação de preços
Para Carlos Alberto Salvador, engenheiro agronômo do Deral, o preço pago atualmente ao produtor de feijão representa uma recuperação de valores, já que os mesmos estavam sendo praticados abaixo do mínimo. E cita que em maio de 2009 o produtor recebeu em média R$ 64,75 por cada saca do feijão de cor e em janeiro perto de R$ 55,86. Entre dezembro de 2009 e abril deste ano, conforme informações do Deral, a evolução nos preços recebidos pelo agricultor foi de 93%. A grande elevação nos preços aconteceu no mês de abril, quando chegou a R$ 104,97 a saca.


