Prato do dia: javonteiro
O desconhecido porco monteiro e o resultado do seu cruzamento com o ancestral javali, o porco javonteiro - ainda mais desconhecido - ganharam notoriedade esta semana por conta do churrasco oferecido pelo presidente Lula aos governadores, em Brasília, no sábado passado. Prato principal: carne de javonteiro.
O porco monteiro é um bicho que vive solto, quase não come ração e sua capacidade de converter alimentos naturais - raízes, folhas e frutas - lhe confere uma carcaça enxuta, ''sem colesterol''. E o javali, nem se fala.
Naturalmente que naquele churrasco o prato só receberia elogios. Mas, se aqui no Sul poucos conhecem, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o javonteiro está no cardápio de algumas dezenas de restaurantes.
Uma das primeiras experiências que se tem conhecimento foi a do médico-veterinário João Carlos Nocera, do Pantanal sul-matogrossense. A qualidade da carne dos primeiros animais abatidos indicaram que a cruza superou a expectativa. A partir daí o produtor passou a desenvolver a produção comercial, ainda sem escala.
Se a carne é boa, os outros atributos vêm na esteira e por conta do entusiasmo dos interessados, que garantem ser um animal de fácil manejo; que se adapta melhor a criação extensiva e natural.
O fato é que o porco javonteiro é uma opção emergente e teve seus momentos de glória naquele banquete federal.
Características nutricionais da carne estão sendo estudadas pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas. Os estudos devem verificar se realmente a carne do animal é menos gordurosa e mais saudável que a de outros porcos de criação comercial, os híbridos precoces.
As primeiras informações técnicas, em outubro do ano passado, confirmaram o baixo teor de gordura. Pesquisas nutricionais também foram iniciadas pela Universidade Católica Dom Bosco, de Campo Grande (MS).
Bom de panela, o javonteiro, pode esbarrar no fator econômico: tem um custo de produção em torno de R$ 3,50 o quilo. Esse custo decorre do preço final do javali, ainda alto porque sua produção não ganhou a escala suficiente.
Com relação ao javonteiro, a curiosidade dos produtores é grande. Mas sobre o javali, a experiência no Sul não é gratificante. Sua entrada chegou a ser proibida no País, depois que alguns animais procedentes da Argentina, mostraram sua voracidade em plantações de tubérculos. Até ano passado, apenas quem vinha criando os animais antes da promultação da lei, em 1998, tinha permissão para manter criatórios de javalis. Sem javali não há javonteiro.
Segundo a Agência Estado - matéria assinada pelo jornalista José Carlos Cafundó - um projeto da Embrapa definiu como prioridade trabalhar no desenvolvimento da criação de jacaré, capivara e porco monteiro, animais considerados de interesse cultural e econômico, por serem de fácil procriação e boa aceitação. O projeto pode receber maior dotação de verbas e ganhar uma alavancagem agora que a carne ganhou do javonteiro notoriedade em Brasília.





