Pragas mudam hábito alimentar
Jota Oliveira
A mudança no comportamento das pragas Neomegalotomus parvus, conhecida por formigão e Dichellops melacanthus, de nome popular barriga verde, foi confirmada pelo Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja), sediado em Londrina.
Considerados sempre pragas secundárias, esses insetos, que são percevejos, mudaram seus hábitos devido ao crescimento de suas populações e a mudança no seu comportamento já é uma preocupação, explica o pesquisador Antônio Ricardo Panizzi.
Mudança de hábitoO formigão ataca principalmente a soja, e a presença do barriga verde vem aumentando em lavouras de soja, trigo e milho. A mudança de hábito foi notada, porque os percevejos costumam sugar as sementes de soja, mas passaram a atacar também as plantas com até 5 cm de altura. O formigão gosta mais da soja e o barriga verde prefere as plantas novas de milho e trigo, lembra Panizzi. O pesquisador acrescenta que, ao estragar as plântulas, os percevejos podem prejudicar o desenvolvimento futuro das culturas.
O formigão e o barriga verde têm se alimentado também das sementes da safra anterior que ficam na palhada do plantio direto. Panizzi diz que a mudança no comportamento das pragas no Brasil pode estar relacionada à maior utilização do plantio direto nos últimos 10 anos. Ele acrescenta que o cultivo da safrinha de milho, iniciado há cinco anos, também pode ser considerado uma parte do problema
Mais mudançasCom a derrubada das matas e a introdução do plantio convencional, novas pragas e inimigos naturais se sobressaíram, mas com o suporte da pesquisa o produtor se adaptou a essa situação, explica. Panizzi acredita que, com as mudanças nos sistemas de produção, haverá novas adaptações, inclusive no que diz respeito ao surgimento de pragas.
Por exemplo, a mudança no comportamento do barriga verde, considerado praga secundária nas lavouras brasileiras, pode ser melhor observada na última safra de trigo nos campos experimentais da Embrapa Soja. Os ensaios apresentaram até três percevejos por metro quadrado. Essa quantidade é considerada alta. Verificamos queda de 30% no rendimento na área cultivada com plantio direto, revela Panizzi.
O pesquisador diz que lavouras onde foi usado o controle químico tiveram rendimento de 3,7 toneladas por hectare, contra 2,6 t/ha em área onde não se fez o controle. No plantio convencional, por outro lado, o rendimento chegou a 4 toneladas por hectare e não houve necessidade de aplicação de inseticida. É claro que estamos preocupados, mas os produtores não devem aplicar inseticidas sem antes consultar os especialistas, alerta.
A Embrapa Soja programou palestra e debate sobre o ataque de percevejos às plântulas de trigo, milho e soja, no dia 19 deste mês, a partir das 14 horas, em seu auditório. Participarão do debate pesquisadores e extensionistas. A palestra será dada pelo pesquisador Panizzi e pela entomóloga e doutoranda Viviane Shocorosqui.
Não existem ainda recomendações específicas para controle do formigão e do barriga verde porque, explica a pesquisadora Beatriz Corrêa Ferreira, da Embrapa Soja, são pragas que estão se tornando problema na soja pela primeira vez. Essas pragas normalmente aparecem no final do ciclo da soja, quando já não causam danos econômicos.





