Pragas e doenças são favorecidas
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
A estiagem prolongada provocou sérios prejuízos no Paraná, e agora, se chover com intensidade, será favorecido o aparecimento de doenças e pragas que prejudicarão o desempenho das lavouras de trigo.
As temperaturas elevadas, registradas neste período no Estado, constituem um habitat altamente favorável ao surgimento de pragas que deverão se manifestar com intensidade na hora da instalação das lavouras. O alerta é do engenheiro agrônomo do Deral, Agenor Santa Rita. Ele prevê dificuldades para o produtor, mais à frente, com gastos extras no uso de herbicidas, inseticidas, e fungicidas. Segundo o técnico os gastos deverão ser enormes para controlar as ervas daninhas que vêm com mais força, e as pragas e doenças que surgem com as temperaturas altas.
Plantio diminuiPara melhorar o quadro crítico, segundo Santa Rita, as precipitações devem ser intensas e contínuas o suficiente para repor a umidade do solo. Não adianta chover 100 mm de uma só vez, pois, além da água da chuva evaporar-se rapidamente, levaria todos os insumos e sementes jogados na terra.
A estiagem antecipou-se e tradicionalmente neste mês de maio é que começa o período seco, durante o inverno, que terminará em setembro. A partir de agosto, os produtores se prepararão para o plantio da safra de verão. A penúltima grande chuva ocorrida no Estado foi entre os dias 14 e 16 de março, quando os produtores estavam encerrando a colheita da soja. Animados com o tempo favorável e capitalizados com a rentabilidade alcançada na comercialização da soja, os produtores investiram no plantio de milho safrinha, que este ano prometia uma safra de 1,7 milhão de toneladas.
O entusiasmo não parou por aí. Quem não plantou o milho-safrinha investiu na compra de sementes e insumos para plantar o trigo. A previsão de que a cultura teria uma queda de 25% no plantio deste ano foi alterada, e a estimativa era de que a cultura teria uma redução de apenas 10% em relação à safra passada, quando a cultura ocupou uma área de 1 milhão de hectares.
Revisão de estimativaHoje, as estimativas estão sendo revistas novamente. Segundo o último levantamento feito pelo Deral, apenas 23% da área prevista de 2 milhões e 100 mil hectares foram plantados, quando o normal deveriam ter sido ocupados pelo menos 35% da área. Os produtores estavam à espera das chuvas, para fazerem o plantio. Desde 16 de março, voltou a chover bem somente na noite de quarta para quinta-feira últimas. O incoveniente de plantar trigo muito tarde é que a colheita será feita no verão, observou Santa Rita.
No dia 2 de abril também choveu, mas a chuva foi insuficiente na maior parte do Estado. Com exceção de Apucarana e Francisco Beltrão, onde choveu 30mm e 10mm, respectivamente, nas demais regiões os índices pluviométricos ficaram abaixo de 0,5 mm. O agravante da situação, explicou o técnico, é que esses períodos de instabilidade foram seguidos de temperaturas muito elevadas para esta época do ano. Eram de 9 a 11 horas de muito sol por dia, durante o mês de abril. Isso fez com que a umidade do solo se evaporasse rapidamente, provocando esta situação de estiagem generalizada em todo o Estado.
No mês de abril ainda choveu um pouco mais no dia 17, e os índices foram bons, lembrou Santa Rita. Mas continuaram insuficientes. Voltou a chover nos dias 20 e 25. De lá para cá, a seca se instalou no Paraná com a absoluta falta de chuvas, salientou. Na região metropolitana de Curitiba choveu apenas 0,2 mm. Enquanto isso, as temperaturas máximas continuaram elevadas, em torno de 30 graus, em média, na região Norte e mínimas em torno de 16 a 18 graus.
A estiagem prolongada já provocou prejuízos que devem superar R$ 130 milhões com a quebra de 36% na produção de milho safrinha, 32% de feijão das secas, 23% de batata das secas e 57% da soja safrinha. Além das lavouras de grãos, as pastagens foram afetadas. As nativas secaram e as plantadas não germinaram. Os criadores de gado de leite da região de Castro e Ponta Grossa estão recorrendo à silagem e ração para alimentar o gado, o que aumentam os custos de produção do leite.O pecuarista por sua vez está acelerando a venda de boi para o frigorífico para evitar a perda de peso dos animais na propriedade.
Para o técnico Agenor Santa Rita, as previsões não são nada animadoras para o inverno deste ano. As temperaturas já começam a cair, com formação de geadas esporádicas e não há indício da ocorrência de chuvas suficientes para repor a umidade do solo. Pelo contrário, as previsões são de um inverno seco.


