Uma nova praga está atacando os pastos de leucena no Paraná e provocando perdas de até 80% na engorda do gado. Trata-se do psilídio (Heteropsylla cubana) - uma pequena cigarra, que causa sérios danos no desenvolvimento das plantas. ‘‘As ações desse inseto causam desfolha e até a morte da leucena. Com isso, há redução na oferta de alimento para o gado. Consequentemente, o rebanho passa a não ganhar peso’’, explica o pesquisador da Área de Pastagem do Iapar, José Pedro Garcia Sá.
Originário do Caribe, o psilídio é a praga mais importante da leucena. No Paraná, a infestação pelo inseto foi observada no ano passado na Fazenda Experimental do Iapar, em Ibiporã. ‘‘Mas não era tão intensa’’, diz. Neste ano, a praga atingiu a maioria das áreas cultivadas com leucena no Estado.
PrejuízosO produtor Yasuyoshi Ozawa está sentindo no bolso o ataque da praga. Ele constatou a presença do psilídio no pasto em junho deste ano, em sua propriedade em Centenário do Sul. Como não sabia o que era, aplicou veneno para pulgão, mas não resolveu o problema. Ozawa procurou orientação no Iapar, onde o inseto foi identificado como psilídio.
Nesse meio tempo, as 450 cabeças de gado de Ozawa praticamente não tiveram ganho de peso. ‘‘A engorda baixou cerca de 80%’’, conta. Para evitar maiores perdas, o produtor está complementando a alimentação do rebanho com ração. Ozawa, entretanto, pretende não desistir da leucena. ‘‘É uma pastagem muito rica em proteína’’, diz. Ele tem constatado média de engorda do gado com a leucena de 750 gramas por dia. Com a utilização da braquiária, o ganho de peso é 54% menor. Ou seja, 350 gramas por dia.
Ele conta que em sua outra propriedade, em Alvorada do Sul, houve ataque do psilídio, mas o inseto desapareceu naturalmente. Ozawa acredita que a existência de uma mata naquela propriedade possa ter interferido. ‘‘Algum inimigo natural agiu’’. Agora, Ozawa aplicou o fungo Metarrhizium, inimigo natural da cigarrinha da pastagem. ‘‘Vou tentar, quem sabe dá certo’’.
Controle biológicoA pesquisadora da Área de Proteção de Plantas do Iapar, Sonia Torrecillas, está estudando insetos potenciais para o controle biológico do psilídio. Ela explica que essa infestação repentina é resultado de desequilíbrio ambiental. O uso irracional de agrotóxico é o principal fator para o aumento de população da praga. A recomendação da pesquisadora é de que não seja usado inseticida. O ideal é fazer o monitoramento da área e utilizar o manejo integrado de pragas. ‘‘Em casos drásticos, a opção deve ser por produtos seletivos, que não afetem os inimigos naturais do inseto’’.
Sonia Torrecillas lembra que para evitar perdas é necessário diversificar a propriedade. ‘‘Assim, se a leucena produzir pouco, o pecuarista tem opção de alimento para o gado’’. A rotação de culturas também são importantes no controle do inseto. A pesquisadora enfatiza que todas as atitudes a serem tomadas pelo produtor devem ser recomendadas por técnicos. ‘‘A medicação sem recomendação pode ter consequências sérias’’.
SintomasMuitas vezes confundido com pulgão, o psilídio ataca principalmente as zonas de crescimento das plantas, como as pontas de ramos. O inseto suga a seiva, enfraquecendo a planta. Além disso, elimina uma secreção açucarada, que favorece o desenvolvimento de um fungo preto, conhecido por fumagina. Esse fungo reveste as folhas, impedindo a fotossíntese.
Os principais sintomas, nas infestações mais baixas, são a descoloração e queda dos folíolos (folhas ainda em formação). Segundo Sá, a presença de mais de 20 insetos em 10 centímetros de pontas de ramos pode causar a completa desfolhação e a morte da planta. ‘‘A manifestação mais clara é o encurvamento dos ramos, principalmente das rebrotas novas’’, explica.

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