A alta incidência de chuvas verificada este ano criou condições para a proliferação das cigarrinhas, insetos que costumam depositar seus ovos nas pastagens em época de maior umidade, aproveitando que esta situação diminui o período de incubação. A praga, que alimenta-se da seiva das plantas, é prejudicial principalmente em sua fase adulta, quando injeta substâncias tóxicas nas folhas e debilita o pasto até ele secar, além de deixar o capim mais pobre em nutrientes e palatabilidade.
Quando o problema aparece, os pecuaristas costumam aplicar agrotóxicos para eliminar os insetos. A solução, porém, acaba agravando a situação, pois o inseticida causa desequilíbrio ecológico e fortalece a praga. De acordo com o engenheiro agrônomo Rodolfo Bianco, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o manejo das cigarrinhas não deve ser praticado isoladamente, mas exige a aplicação integrada de princípios fitotécnicos com métodos de controle de pragas.
Combate‘‘O inseticida só é necessário em casos extremos, como por exemplo nas pastagens que apresentam alta densidade populacional de adultos, para diminuir as consequências do dano. Após a aplicação, é aconselhável adotar um tipo de manejo que propicie maior tolerância ao ataque das cigarrinhas’’, ressaltou.
Ele explica que os princípios fitotécnicos envolvem a implantação de pastagens adaptadas à região, correção e fertilização adequada do solo, consorciação e diversificação de espécies forrageiras. O pesquisador adverte que para conduzir adequadamente o manejo da praga, é preciso adquirir conhecimentos sobre a biologia e os hábitos da cigarrinha, além de saber quantificar a infestação da praga, através de vistorias e amostras.
No Paraná, as amostragens de setembro, novembro e janeiro são as mais inportantes, pois correspondem respectivamente à primeira geração, segunda geração e pico populacional da espécie. O nível de infestação deve ser detectado com base no seguinte critério: até 30 ninfas por metro quadrado, o nível é considerado baixo; de 30 a 50, infestação moderada; acima de 50, infestação alta.
SensibilidadeAs gramíneas mais sensíveis à praga são as braquiárias, o napiê e o capim-estrela, enquanto o capim-marandu, o brizantão
e o colonião são mais resistentes. Nessa época do ano, os solos das pastagens costumam estar debilitados, por isso o pesquisador recomenda reformar o pasto ao mesmo tempo em que combate-se a praga.
Bianco sugere o controle biológico para substituir a aplicação indiscriminada do controle químico, utilizando inimigos naturais da espécie. O fungo Metarhizium anisopliae, disponível em escala comercial, apresenta resultados eficientes. Ele recomenda executar o tratamento em pastagens com 25 a 40 centímetros de altura e temperatura variando entre 25oC e 27oC, alternando períodos de umidade elevada e ausência de precipitações. A dosagem recomendada de esporos é de 200 a 250 gramas por hectare, que devem ser aplicados, preferencialmente, pela manhã até às 10 horas e à tarde depois das 16 horas.
O uso estratégico do pastejo também contribui para o controle populacinal das cigarrinhas. Segundo o agrônomo, o pastejo intensivo no início do período chuvoso permite uma maior entrada de luz e radiação solar, expondo as ninfas à dessecação. Porém, essa estratégia não deve ser prolongada, pois pode comprometer a recuperação da pastagem. O ideal é promover o pastejo intensivo por 15 a 20 dias, seguido por um período de descanso de dois a três meses.
Calendário de controle De acordo com calendário sugerido por Rodolfo Bianco, entre os meses de novembro e fevereiro é recomendável aplicar o fungo Metarhizium, além de reduzir o pastejo ao mínimo nas áreas com mais de 20 cigarinhas por metro quadrado. Nos pastos com mais de 40 insetos por mentro quadrdao, é necessária a pulverização com produtos químicos específicos.
Nos meses de março a junho, o gado deve voltar as pastagens. Em julho e agosto, as pastagens degradadas com histórico de altas infestações precisam receber sementes de espécies mais resistentes, além da análise do solo para correção e fertilização. Em áreas menos castigadas, recomenda-se o uso controlado do fogo e gradagens em cruz. A partir de setembro e outubro, com o início das chuvas, o ideal e tomar quatro amostras em quatro pontos das pastagens para identificar o nível de infestação. Se forem constatadas mais de 30 ninfas por metro quadrado, deve-se aplicar o fungo e diminuir a pressão do pastejo.

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