Oficialmente o Paraná tem quatro centrais cooperativas de produção de leite. Na prática, três delas já atuam em parcerias, trocando serviços, seja no envase, na distribuição e até na comercialização da produção, como se fossem uma só. A quarta central cooperativa é sócia minoritária de uma empresa capitalista.
De acordo com informações da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), as centrais cooperativas do Estado são a Sudcoop, de Medianeira; a Centralpar, de Curitiba; e a Confepar, em Londrina. A quarta central, a Batavo, é sócia da Batávia, empresa da Parmalat. As cooperativas singulares de leite do Paraná somam 25 unidades.
No caso da Sudcoop e Centralpar, desde o início deste ano, na prática, podem ser consideradas uma só. Nas máquinas da indústria de Curitiba são envasadas cerca de cinco marcas de leite, por exemplo, provenientes das cooperativas da Centralpar e da Sudcoop.
ParceriaNo início deste ano, a Sudcoop arrendou a indústria da Centralpar, na cidade industrial de Curitiba. Com o acordo entre as duas centrais, a capacidade de produção diária subiu para 650 mil litros/dia.
Com a parceria, a Sudcoop pretende industrializar um milhão de litros de leite por dia até 2002. A ampliação visa escala de produção para negociar melhor com as grandes redes varejistas que estão no País. ‘‘O mundo moderno pede alianças e parcerias. Não necessariamente parcerias de patrimônios, mas de estratégias para atuarem em conjunto no mercado’’, garante o diretor executivo da Sudcoop, Elias José Zydek.
Zydek confirma também que já foram iniciadas as conversas para que a Sudcoop passe a envasar a produção de leite de filiadas da Confepar na indústria arrendada da Centralpar em Curitiba. As duas centrais, Sudcoop e Confepar, já trocam serviços e isso, de acordo com Zydek, deverá ser ampliado a médio prazo. A Confepar, que tem a única máquina de leite em pó do Paraná, já transforma o soro de leite e o excedente da Sudcoop, em leite em pó.
Aliado no sistemaA Sudcoop, que industrializa a marca Frimesa quer ampliar sua participação no mercado nacional, mas para isso não quer fazer alianças fora do sistema cooperativista, como aconteceu com a Batavo. Além da área do leite (nos lácteos leite em pó, longa vida, creme de leite, iogurte, manteiga, bebida láctea e alguns queijos) atua também na área de carnes (suínos).
‘‘A produção em escala é uma alternativa para equilibrar forças num momento de concentração de mercado, como está ocorrendo com a rede varejista de supermercados’’, avalia Zydek.
Para que isso aconteça, outras áreas de produção leiteiras de cooperativas singulares deverão ser agregadas ao projeto da Sudcoop. O objetivo é reunir volumes e comercialmente atuar juntos, para ganhar em volume, lojística e negociação de mercado. ‘‘A exemplo do que acontece no varejo, o setor leite deverá ter uma concentração nos fornecedores para ter poder de negociação de igual para igual’’, reforça.
Na nova concepção, segundo Zydek, as cooperativas singulares voltam a se preocupar apenas com a produção e assistência ao produtor, enquanto a indústria se dedica às relações comerciais. Na cadeia produtiva do leite, afirma Zydek, existem mercados regionais que devem continuar sendo atendidos por empresas regionais. Os commoditties, como o leite longa vida e o pasteurizado, que são o maior volume da cadeia produtiva do leite, não ficarão mais concentrados para comercialização numa só região.
O excedente, depois de atender a região de origem, deverá atender a outros mercados, produzindo escala e competindo. O interesse da Sudcoop, por exemplo, é ganhar mercados de grandes capitais, como o de São Paulo por exemplo, e agregar valores aos produtos.
Carnes A Sudcoop também atua na área de carnes, com um frigorífico que abate hoje 1.400 cabeças/suíno/dia. Toda a carne vai para a indústria de frios da marca frimesa, que é comercializada em todo o País.
Do faturamento anual da empresa, esse ano calculado em R$250 milhões, 45% sairá da área de carnes. Até a parceria com a Centralpar, no início deste ano, o setor representava o maior faturamento da Sudcoop, e o leite vinha em segundo lugar. Hoje o leite representa 55% e o setor de carnes 45%.
A Sudcoop mantém há dois anos também uma parceira com a Intercoop, cooperativa de Nova Mutum, no Mato Grosso, próximo de Cuiabá. Lá são produzidos e comercializados produtos da marca frimesa e a Sudcoop fornece assistência tecnológica para o frigorífico.
O setor de carnes deve ser expandido nos próximos meses em função da abertura das barreiras sanitárias internacionais (aftosa). O objetivo da Sudcoop é crescer também na produção de carnes, com abate de 2 mil cabeças/suínos/dia em 2001. Ao contrário do leite, o mercado de carnes deverá ser o de exportação já que no mercado interno a oferta é maior do que a demanda.

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