PR lidera contrabando de agrotóxicos
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sexta-feira, 17 de maio de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba - Mais da metade dos herbicidas mais consumidos no Paraná são contrabandeados. O Paraná é um dos campeões no consumo de agrotóxicos contrabandeados por causa da proximidade da fronteira com o Paraguai. A maioria dos agrotóxicos é fabricada na China e entra no Brasil via países do Mercosul.
As maiores apreensões de agrotóxicos contrabandeados no Paraná ocorrem na região Oeste, onde os produtores preferem correr o risco em troca da economia que fazem na hora da compra. Esses produtos custam entre 30% e 40% menos que os similares vendidos de forma legal no País. A explicação para a diferença do preço é que o custo Brasil, com uma carga tributária elevada, aumenta os preços dos agroquímicos.
O Sindicato Nacional da Indústria de Defensivos Agrícolas (Sindag) estima que no ano passado, só de herbicidas foram contrabandeados 23 toneladas de produtos no Paraná, o que representa 53% do volume total de produto aplicado nas lavouras do Estado. Entre todos os produtos agrotóxicos, o Paraná consome 48 mil toneladas de produtos.
Os produtos mais contrabandeados são os similares dos herbicidas Metsulfuron e Clorimuron, ambos fabricados pela multinacional Du Pont. Os dois produtos são considerados de última geração e são muito caros, o que tem atraído o interesse dos agricultores. Para se ter uma idéia, esses herbicidas custam entre US$ 400 a US$ 500 o quilo. O Sindag estima que entraram ilegalmente no País, no ano passado, cerca de 60 mil quilos de Clorimuron e volume de Metsulfuron suficiente para ser aplicado em 50 mil hectares de área.
Por isso, o contrabando geralmente é feito em pequenas quantidades, em pacotinhos de 10 gramas do produto, que pode ser aplicado numa área de um hectare, aproximadamente. O produto entra através de fundos falsos de veículos e caminhões que trafegam pela Ponte da Amizade, entre Paraguai e Brasil. Também são trazidos por aviões, barcos e balsas e os produtos vão diretamente para as propriedades.
De acordo com levantamento do Sindag, os produtos fabricados na China, contrabandeados via Paraguai, têm como principais marcas comerciais os nomes Ajax500, Herbex, Galmuron, Clorinor, Huron, Poker, Met Sulfuron Methil, Flexch, entre outros.
Técnicos do Sindag salientam que o contrabando de agrotóxicos vem sendo praticado em todo o País, principalmente nos estados onde se concentram as lavouras de soja e trigo, como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia e Maranhão. O prejuízo gerado ao País é de aproximadamente US$ 20 milhões.
As apreensões de produtos contrabandeados geralmente são feitas pela Receita Federal, em Foz do Iguaçu. Mas a fiscalização tem dificuldade em flagrar o uso de produtos contrabandeados porque eles são entregues diretamente nas propriedades. Muitas casas de revenda de agrotóxicos que compram produtos no mercado paralelo (oriundos de roubo ou contrabando) colocam vendedores ambulantes para percorrer a área rural. Com isso, eles se livram de manter os produtos em estoques nas lojas, informa Jacob.
A Secretaria da Agricultura vem atendendo às denúncias. Segundo Jacob, no ano passado a Seab flagrou várias propriedades na região de Cascavel que tinham os pacotinhos de herbicidas, devido à uma denúncia anônima.


