Numa época em que grande parte das mulheres trabalha fora e a maioria não tem mais tempo de passar horas à beira do fogão preparando as refeições da família, a industrialização do feijão parece ser a tendência do futuro. Empresários paranaenses perceberam isso e, em uma iniciativa pioneira, criaram há dois anos a Vapza, uma indústria instalada em Castro (Sul do Estado) que está colocando no mercado, entre outros alimentos, o feijão pré-cozido.
‘‘Comercializamos atualmente em torno de cinco toneladas por dia do produto, e estamos presentes em praticamente todo o Brasil’’, informa o gerente industrial Paulo Roberto de Andrade Gemael. O produto paranaense, segundo ele, tem sido bem recebido, e a empresa programou para breve o lançamento de outras opções para o consumidor, como lentilha, ervilha, grão-de-bico, pinhão, mandioca, beterraba, cenoura e mandioquinha-salsa, além do feijão-cavalo marrom (utilizado em saladas) e do feijão branco, muito consumido pelos paulistas. Todos semiprontos.
No caso do feijão tradicional, estão sendo oferecidos os tipos carioca e preto, que já vêm cozidos e temperados. ‘‘Basta que o consumidor acrescente água, um pouco mais de tempero se quiser, e deixe ferver por uns 10 ou 15 minutos, até engrossar o caldo’’, explica Gemael. Segundo ele, a compra da matéria-prima é feita através de um comprador, que submete o produto a uma pré-limpeza e ao controle de qualidade. ‘‘Mesmo chegando limpo até nós, o feijão ainda passa por um sistema de classificação, para ver se está dentro dos nossos padrões de industrialização’’, explica o gerente.
Seguindo o exemplo da empresa paranaense, a multinacional Nestlé também está lançando seu feijão ‘‘quase pronto’’. Batizado de Rango, o produto pode ser adquirido nas versões carioquinha, preto e tutu-de-feijão, em embalagens de 80 gramas, nos moldes das já conhecidas sopas e cremes.
Para o pesquisador Marco Antonio Lollato, a possibilidade de industrialização do feijão é interessante principalmente pelo fato das empresas, em época de safra, poderem adquirir o excedente de produto e promoverem a regulagem dos preços. Ele lembra que grandes avanços foram feitos em termos industriais, e hoje as fábricas conseguem manter todos os aspectos nutricionais do produto, coisa que até alguns anos atrás não era possível. (S. L.)

mockup