PR inicia programa de controle aviário
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de julho de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Todos os aviários do Paraná devem estar cadastrados junto à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), até o dia 30 de dezembro. A medida faz parte de um programa de regionalização aviária que deverá ser implantado em todo o País. A necessidade de registro se estende aos estabelecimentos com mais 400 aves e o Paraná está sendo pioneiro na adoção da medida.
Segundo a Agência Estadual de Notícias, até o final de 2006, além do Paraná que ocupa o posto de maior produtor brasileiro de carne de frango , Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo devem estar com a regionalização implantada e reconhecida internacionalmente pelos países compradores e entidades internacionais. Estes estados juntos respondem por aproximadamente 80% da produção avícola nacional. Além do governo estadual, o projeto envolve o Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa) e entidades representativas do setor como a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef) e o Sindicato dos Abatedouros e Indústrias Avícolas do Paraná (Sindiavipar).
Domingos Martins, que preside a Associação de Avicultores do Paraná (Avipar) e o Sindiavipar, explica que a primeira fase do programa, que já está em andamento, consiste na identificação via aparelho de GPS e cadastramento de todas as propriedades rurais do Estado que tenham mais de 400 exemplares. O sindicato doou um aparelho de GPS e um computador para a Seab realizar o trabalho. ''O aparelho permitirá a identificação e localização via satélite desses aviários. É quase que um processo de rastreabilidade'', explica.
Pelo projeto, como informa Odilon Douat Baptista Filho, que é chefe da Seção de Sanidade Aviária da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seab, a regionalização acontecerá por estados. As medidas que constam do programa, permitem o isolamento do estado atingido por doenças da lista A da Organização
Internacional de Epizootias (OIE), como Influenza Aviária (gripe do frango) e Newcastle.
Com isso, em caso de alguma ocorrência, apenas as exportações do estado atingido são bloqueadas, garantindo que as demais unidades federativas brasileiras, isentas da doença, dêem continuidade às exportações de carne de frango. As doenças da lista A, como explica, são as consideradas exóticas ou de pouco ocorrência, mas que exigem prioridade de atendimento por causarem alta morbidade e alta mortalidade.
Para o presidente da Avipar, o controle regionalizado da atividade atende a uma reivindicação das empresas envolvidas na cadeia. ''Não há como se praticar uma avicultura de primeiro mundo sem termos os cuidados que essa clientela exige''. Ele destaca ainda que a regionalização por Estado foi escolhida por
se adequar melhor ao perfil da avicultura nacional, extremamente concentrada
em poucas unidades da federação. ''É a garantia de mais segurança aos aviários do Sul do País, onde já adotamos cuidados fitossanitários que atendem aos exigentes padrões do mercado externo'', salienta Domingos Martins.
Estimativas da Abef apontam também que com a estadualização o surgimento de um foco de doenças na Região Sul comprometeria apenas 32% das exportações brasileiras. Martins cita que a idéia inicial era de um controle por regiões geográficas, nesse caso, ''um foco na Região Sul atingiria 86,2% de toda a exportação nacional, o que não mudaria praticamente nada em relação ao cenário atual, no qual estamos desprotegidos'', afirma. O presidente da Avipar informa ainda que a medida deverá se estender a todos os criatórios de aves, como galinhas poedeiras, codornas, galinhas caipiras e avestruzes. ''As doenças são as mesmas para todos os grupos de aves'', destaca.


