PR e MS na luta contra a doença
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sexta-feira, 20 de junho de 1997
Luiz Taques 
Milton DóriaSecretário de Agricultura, Hermas Brandão, em reunião com técnicos e lideranças da pecuária de Mato Grosso do Sul e do ParanáO rebanho bovino do Paraná é de 9 milhões de cabeças; o do Mato Grosso do Sul, de 23 milhões. O Paraná tem 4 milhões de suínos; Mato Grosso do Sul possui 27 mil matrizes de suínos. Já há algum tempo os dois Estados se uniram no combate à febre aftosa, e na última segunda-feira autoridades paranaenses e sul-mato-grossenses se reuniram na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, para discutir a continuação da campanha contra a doença que ataca aquelas duas espécies. O próximo encontro será no Distrito Federal, na semana que vem.
Vamos pedir que os dois Estados sejam considerados áreas livres da febre aftosa, porém com vacinação, anunciou o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul), José Armando Amando. Queremos iniciar imediatamente o processo para conseguirmos esse atestado, acrescentou o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneghette. Precisamos de uma ação mais política, pregou o Secretário de Agricultura do Paraná, Hermas Brandão.
O último foco de febre aftosa registrado no Paraná foi em 1995. Mas acontece que aqueles animais vieram de fora, lembrou o veterinário Felisberto Batista, do Departamento de Fiscalização da Secretaria de Agricultura do Paraná. O diretor-geral do Departamento de Inspeção Agropecuária de Mato Grosso do Sul (Iagro), Helinton José Rocha, disse que a última vez em que o Estado registrou um foco da doença foi no dia 23 de dezembro de 1994.
Governo FederalA Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Paris (França), é o órgão que certifica se um Estado é área livre de febre aftosa ou não. Porém, o pedido para que amostras do rebanho sejam colhidas para exames laboratoriais deve ser feito pelo Governo brasileiro, através do Ministério da Agricultura. Ou seja, cabe ao Governo Federal pleitear que um Estado da Federação consiga esse atestado. como, foi obtido recentemente por Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No Brasil, o Centro Panamericano de Febre Aftosa é o consultor e o avalista da OIE. É o Centro que fiscaliza a metodologia usada para a análise dos animais. Antes, o Ministério da Agricultura deve assinar uma portaria autorizando os Estados a tomar as medidas necesssárias para fazer esses exames. É isso que os secretários de Agricultura e as bancadas de parlamentares do Paraná e do Mato Grosso do Sul reivindicarão na semana que vem ao Governo Federal.
ExamesSegundo Felisberto Batista, da Secretaria de Agricultura do Paraná, devem ser coletadas amostras de aproximadamente sete mil animais no Estado, para serem analisadas em laboratório. O diretor-geral do Iagro, Helinton José Rocha, acredita que no Mato Grosso do Sul no máximo 10 mil animais devem ser submetidos aos exames.
Os técnicos da Secretaria de Agricultura do Paraná apuraram que a capacidade do laboratório do Ministério da Agricultura é de analisar em torno de 1.200 amostras por semana. Por isso, precisamos agir imediatamente, argumentou o presidente da Faep, Ágide Meneghette. Caso contrário, corremos o risco de entrar no próximo século ainda sem esse atestado, acrescentou o presidente da Famasul, José Armando Amando.
Quando as amostras estiverem sendo coletadas, os dois Estados devem fechar as suas divisas, para evitar a entrada de novos animais. Para isso, precisam também do apoio do Ministério da Agricultura. O Paraná conta atualmente com 32 barreiras de fiscalização; o Mato Grosso do Sul possui 14. No ano passado, segundo o presidente da Famasul, o Brasil exportou 270 milhões de toneladas de carne. Mas poderia ter exportado muito mais, caso os dois Estados já fossem considerados áreas livres, disse José Armando Amando.


