PR concentra 61% dos casos de ferrugem asiática da soja do país
Na comparação com um ano atrás, o Estado mais que dobrou o número de registros
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de janeiro de 2026
Na comparação com um ano atrás, o Estado mais que dobrou o número de registros
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 
O Paraná lidera o volume de registros de ferrugem asiática da soja, uma das doenças mais severas para a cultura, com 88 casos durante a safra 2025/26. O volume representa 61% dos registros no país.
Ao todo, foram registrados 144 casos de ferrugem asiática em território brasileiro. Além dos registros paranaenses, focos do fungo foram contabilizados nos estados de Mato Grosso do Sul (44 registros), Rio Grande do Sul (5), São Paulo (4), Santa Catarina (2) e Minas Gerais (1 registro).
Os registros são divulgados pelo Consórcio Antiferrugem, iniciativa nacional coordenada pela Embrapa Soja que reúne pesquisadores, empresas e produtores para monitorar e combater a ferrugem asiática, além de avaliar fungicidas, com foco no auxílio a agricultores na tomada de decisões sobre o manejo e a aplicação preventiva dos produtos.
Na comparação com um ano atrás, o Paraná mais que dobrou os casos, visto que na safra 2024/25 haviam sido registrados 41 casos no início de janeiro.
A pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, explica que o aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente.
“É um sinal de que há esporos circulando e de que o produtor precisa utilizar fungicidas com eficiência para o manejo da ferrugem”, alerta. Segundo a pesquisadora, a maior ocorrência de relatos de ferrugem asiática da soja na região Sul está relacionada a uma maior sobrevivência de plantas voluntárias de soja na entressafra, à janela de semeadura na região e ao monitoramento da doença.
“O clima mais úmido durante o inverno, no Sul, favorece a sobrevivência da soja voluntária [plantas que nascem espontaneamente após a colheita] e, consequentemente, do fungo causador da ferrugem. Com a ocorrência de chuvas no inverno, há maior sobrevivência da soja voluntária, na qual o fungo acaba se mantendo. No cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor”, explica.
PRÁTICAS
Com propriedade em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), o produtor Fábio Afonso Pinto adota uma série de práticas para prevenir a ferrugem. Hoje, o agricultor conta com uma área cultivada de 250 hectares de soja, com a colheita prevista para ser encerrada até o final de março.
“A colheita vai se estender mais este ano porque na noite de 1º de novembro de 2025 fomos surpreendidos com uma chuva de granizo que destruiu as lavouras”, relembra.
Segundo o produtor, em todos os anos aparecem focos de ferrugem na lavoura de soja. No entanto, não há perdas significativas por causa das práticas que são adotadas no campo.
“É fundamental eliminar as plantas voluntárias de soja nas culturas de inverno e fazer aplicação preventiva de fungicidas no início do período reprodutivo da soja, sempre acompanhada de protetores (sulfato de cobre) e da aplicação de produtos que induzem a resistência das plantas”, lista.
O agricultor acrescenta que os fungicidas devem ser aplicados de maneira correta – dosagem e componentes. “Cada fungicida tem uma combinação e uma concentração de ingredientes ativos diferentes, então o produtor tem que evitar usar o mesmo fungicida em todas aplicações”, explica. Essa prática faz com que o fungo não adquira resistência.
METODOLOGIA
O número elevado de relatos de ferrugem asiática no Sul também está ligado à metodologia de registro. Os dados do Consórcio Antiferrugem são contabilizados por município, e o Paraná, por exemplo, possui um número maior de municípios em comparação a outros estados.
“Os registros são voluntários e dependem da atuação de técnicos e agrônomos em campo. E as regiões com forte presença de cooperativas, como ocorre no Paraná, acabam apresentando maior número de notificações”, explica a pesquisadora.
ORIENTAÇÕES
A pesquisadora explica que, com o avanço da resistência do fungo causador de ferrugem asiática aos fungicidas, há a necessidade do uso de produtos multissítios em associação.
“Esses fungicidas atacam o fungo em múltiplos pontos do seu metabolismo simultaneamente, por isso o risco de o fungo desenvolver resistência a eles é mais baixo. Essa estratégia é fundamental para aumentar a eficiência do controle e prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis”, afirma.
A eficiência dos fungicidas disponíveis no mercado pode ser consultada no site fitossanidadetropical.shinyapps.io/fungicidas, com informações baseadas em ensaios cooperativos de quatro safras.


