Mais de 800 produtores participaram do 11º Encontro Estadual do Café, realizado nesta semana, na Exposição de Londrina. O objetivo foi avaliar a viabilidade técnica e econômica da produção de café com qualidade e competitividade no Paraná.
O pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Armando Androcioli, apresentou trabalho de caracterização da qualidade do grão nas diferentes regiões do Paraná.
Androcioli fez um histórico de todo o trabalho desenvolvido na campanha Café Qualidade Paraná, lançada em abril de 98, e o marketing para a inclusão do Café do Paraná no mesmo rol do Café do Brasil e Cafés Especiais.
No encontro foram apresentados dados preliminares do trabalho de caracterização do café paranaense, especialmente com base na temperatura dos locais de cultivo. Para essa caracterização foram utilizadas 130 amostras coletadas em 43 municípios. A coleta foi feita pela Emater e Iapar.
As amostras foram classificadas no Departamento de Café (Decaf), do Ministério da Agricultura, pelos classificadores do Centro de Comércio do Café no Norte do Paraná, da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina, da Cia Cacique de Café Solúvel e da Cia Iguaçu de Café Solúvel.
Na classificação uma escala de 0 a 10 foi usada para determinar as características de aroma, sabor, acidez, corpo e doçura. Para cada característica o café recebeu uma nota. Uma das constatações dos técnicos foi que as notas foram ficando maiores para aqueles cafés cultivados em regiões de temperatura mais quente para uma mais fria.
Hoje mais de 90% dos produtores assistidos pelo projeto produzem cafés de bebidas duras e moles, porém, o tipo de café não têm acompanhado essa evolução. Este tem sido o ponto de estrangulamento e deve ser trabalhado pelos produtores paranaenses, alertou o pesquisador.
Para solucionar essa questão, segundo Androcioli, é preciso que o pequeno produtor adote a estrutura mínima de processamento e secagem e possa obter um café do tipo exportação ou até mesmo um café especial.
O técnico da Emater Silésio Damoner explicou durante o evento que o pequeno produtor, aquele que possui até 20 mil pés de café, deve ter uma estrutura mínima para produzir café de bebida fina. ''Possuir pelo menos um lavador-separador e realizar a seca de café em estufa secadora.''
Devido às condições climáticas, segundo Damoner, o pequeno produtor que fizer só colheita seletiva no pano e ir direto para o terreiro sem ter um separador de frutos, dificilmente terá um café voltado para o mercado externo.
O ideal é realizar a colheita do café cereja no pano seletivamente, passar no lavador e levar para o terreiro; fazer o manejo no terreiro com a estufa e, em seguida, colocar na tulha. Ao utilizar o lavador é possível separar os frutos secos que bóiam dos frutos verdes e em cereja, além de separar as impurezas e deixar o café mais uniforme.

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