Sessenta pecuaristas de todo o Paraná que estão participando do Programa Pecuária de Curta Duração, desenvolvido por técnicos da Secretaria de Agricultura, querem mudar o perfil da produção de carne no Estado, especialmente nas propriedade de menor porte.

O programa visa abate de animais superprecoces, entre 15 e 18 meses de idade, ofertando uma carne que chamam de ''especial''. Já existem duas alianças formadas no Estado. A de Guarapuava que funciona há dois e agora em Paranavaí, no Noroeste do Estado, alguns pecuaristas começam a montar um grupo.

Segundo o zootecnista da Emater-PR, Ademir Antônio Rodrigues, hoje ainda não existe no Estado produção suficiente para grande oferta de carne de novilho supeprecoce nas gôndolas dos supermercados paranaenses. ''Mas os pecuaristas estão investindo para que isso aconteça rapidamente.''

No Norte do Paraná, segundo Ademir, já são 12 pecuaristas que aderiram ao Curta Duração. Os produtores estão se organizando para seguir o exemplo da região de Guarapuava, onde existem 15 pecuaristas que terceirizaram o abate e negociam direto com os varejistas, aumentando suas margens de lucratividade. O primordial, de acordo com Ademir, é manter a regularidade de oferta e, para isso, são necessários ajustes tecnológicos na propriedade, gastos que significam um investimento a médio e longo prazo, mas de retorno garantido.

O sistema do Programa de Curta Duração, avisa o técnico, não tem, na verdade, nada de novo, mas preconiza o básico para a rentabilidade da pecuária: boa alimentação para os animais, manejo correto e o cruzamento industrial. Outro fator importante é adotar uma gestão melhor, visando custo-benefício com boa margem bruta de lucratividade.

O manejo dos animais superprecoces começa no nascimento quando mesmo mamando os bezerros recebem uma suplementação (ração) para acelarar o desenvolvimento. O manejo faz com que sejam desmamados aos sete meses e liberem a mãe (a vaca) para que ela possa estabelecer rapidamente nova prenhez. O objetivo é que cada vaca tenha um bezerro por ano. Depois da desmama por um período de mais quatro meses os bezerros ficam no pasto com suplementação no sistema creep-feeding. A seguir, por mais quatro ou cinco meses, são terminados em confinamento com concentrado e volumoso.

Segundo o zootecnista Ademir, com este esquema, adotando estação de monta e bom manejo das pastagens, o pecuarista pode se comprometer a manter um fornecimento constante, durante o ano inteiro, de animais superprecoces. Ele admite que o sistema de produção exige mais tecnologia, não é fácil, porém dá mais retorno também. ''Hoje ainda temos pecuaristas que fazem o mesmo manejo de 30 anos. Para este tipo de produtor não há mais lugar no mercado.''

Ademir admite também que ainda há uma certa dificuldade em convencer alguns produtores para a organização em grupos ou alianças, necessárias para uma melhor negociação e poder de barganha. Além disso, em grupo fica mais fácil fazer compra de insumos. ''Os produtores podem começar com a entrega de carcaças e, mais tarde, até partirem para a venda de produtos em cortes, semi-prontos, agregando cada vez mais valor a sua produção.''

Hoje o rebanho paranaense tem um desfrute de 17% a 20% por ano em média, mas há potencial para chegar a 42%, considera o técnico da Emater. ''Para isso, no entanto, é preciso vencer barreiras ideológicas e adotar tecnologias mínimas de produção. A pecuária estadual, e até extrapolando para a nacional, tem um rendimento médio de 70 kg/ha/ano enquanto que o potencial é de 400/kg/ha/ano.''
A falta de um tratamento ''mais profissional'' que durante muitos anos foi dado a pecuária, diferente da agricultura que se tecnificou e modernizou mais rápido, faz com que se tenha ilhas de produção, com alta produtividade, e ainda locais onde os animais demoram de quatro a cinco anos para atingirem peso de abate.

A falta de atenção aos pastos, por exemplo, num visão extrativista, fez com que parte das pastagens enfrentem hoje alto estágio de degradação. ''O pecuarista começa a entender que é preciso não só adubar os pastos, mas também manejar e mantê-los em bom estado,'' admite o técnico.

O Paraná, segundo Ademir Rodrigues, tem de 70% a 80% de suas pastagens necessitando de renovação ou recuperação. ''Sem pastagem não se tem produtividade, não se tem produção de carne. A atividade só dará maior rentabilidade a medida que os pecuaristas utilizarem tecnologias apropriadas.''

De acordo com Ademir, em algumas regiões do Paraná a pecuária chega a representar, em área, a maior atividade dos municípios, mas a pior em renda por falta de tratamento adequado do negócio.

Mudar este cenário, na opinião do zootecnista, depende não só do incentivo oficial, como os programas de governo, mas também da vontade de modernizar por parte dos pecuaristas. Ele garante que os investimentos não são altos e representam rendimentos futuros. Há uma tendência de empreendedorismo, na opinião de Ademir, que começa a tomar conta do setor. ''Essas pessoas estão com vontade de mudar e isso é imprescindível.''

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