Pouco difundido nos Estados Unidos
Cristina Côrtes
De Londrina
O solo é o elemento mais importante da atividade agrícola. E hoje, a questão na América é decidir entre o plantio direto ou não. Assim se manifestou o produtor Jim Kimsella, de Lexiton, no Estado de Illinois, nos Estados Unidos, quando falou a produtores brasileiros que visitaram sua propriedade, dentro da programação de visitas técnicas promovidas pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep) entre os dias 1º e 9 de agosto.
Apesar da qualidade do solo da região do Corn Belt (Cinturão do Milho), alguns produtores estão preocupados com sua conservação e manutenção. O próprio governo dos Estados Unidos tomou a iniciativa recente de investir na recuperação dos solos. Segundo Jim Kimsella, o governo tem pago US$250 por hectare (ha) para o produtor deixar a área descansando, sem plantio. Nos últimos 10 anos foram gastos US$21 bilhões com este programa de recuperação. Mas o produtor acha que é um dinheiro jogado fora, porque o produtor não muda sua concepção de exploração da terra.
DefensorJim Kinsella é um defensor do sistema de plantio direto, técnica pouco adotada nos EUA. Apenas 3% dos produtores fazem plantio direto, muitos ainda não estão conscientes de que apesar do nosso solo ser muito bom, estamos ano a ano perdendo matéria orgânica, diz Jim. Segundo dados divulgados pela pesquisa, os níveis originais de matéria orgânica naquela região eram de 12 a 13%, e ano a ano vêm se reduzindo, chegando a valores atuais entre 4% e 7%. A agricultura e a drenagem artificial dos solos são as causas fundamentais para esta significativa diminuição de matéria orgânica.
Nos Estados Unidos, segundo Jim, os produtores são imediatistas, querem resultados a curto prazo. A adoção do sistema de PD é uma questão filosófica, e a maioria dos produtores preferem a facilidade à comodidade, diz Jim. Lá, ao contrário do Brasil, a maioria dos que adotam o sistema são os pequenos, e os grandes continuam no plantio convencional.
Para estimular mais o plantio direto, os produtores estão tentando negociar com o governo o pagamento de um bônus para o produtor que adotar o sistema. O plantio direto limpa a atmosfera e queremos mostrar para o governo a importância desta prática para melhorar o clima, comenta Jim.
O produtor conhece o trabalho com PD realizado no Brasil e também na Argentina, e reconhece que aqui os agricultores estão bem à frente com esta tecnologia.
ExperimentosJim Kinsella cultiva 300 ha, metade com milho e outra metade com soja. Começou o plantio direto em 74, com milho e soja em 75. E desde 77 não mexeu mais com o solo. Desde 88 trabalha como difusor desta tecnologia e treinamento para outros produtores. O produtor tem mestrado em Ciência do Solo e faz uma agricultura consciente. Mais de 80 mil produtores, entre americanos, brasileiros e argentinos já visitaram sua propriedade.
O produtor realiza normalmente as seguintes operações com máquinas: plantio, pulverização, drenagem, colheita. Todas as operações são rastreadas pelo geoprocessamento por satélite (GPS). Ele não tem empregados. Trabalham na propriedade somente ele e seu filho. Através do GPS, o produtor identificou na sua área 25 tipos de solos, que são trabalhados diferentes, de acordo com a necessidade de cada um. O GPS permite ao produtor mapear toda a propriedade quanto à produtividade, umidade, deficiência nutricional. Um aparelho eletrônico acoplado â colheitadeira capta essas informações e transmite a um computador que faz o processamento dos dados e emite gráficos que registram detalhadamente o desempenho da cultura.
Nos primeiros anos em que adotei o plantio direto, minha produtividade caiu. Depois voltou ao normal, e agora cresce ano a ano, explica. Sua produtividade média, nos últimos dois anos, é de 56 sacas/ha de soja e 165 sacas/ha de milho. Depois da colheita, Jim deixa os pés de milho no solo, para proteção contra os ventos.
Jim também tem desenvolvido experimentos com adensamento de milho, e concluiu que o espaçamento que gerou melhor produtividade foi de 1 metro entre linhas e uma população de plantas de 79 mil por ha. Um espaçamento menor, como alguns produtores vêm fazendo, tem causado problemas de doenças no milho, comentou.
O plantio é realizado, considerando-se sempre a luminosidade proporcionada pela incidência dos raios solares. As linhas de plantio são posicionadas de forma perpendicular em relação ao deslocamento do sol, para melhor aproveitamento da luminosidade.
TransgênicosO produtor tem plantado 25% de sua área com soja transgênica, mas diz que não tem observado grandes vantagens. As sementes precisam ser compradas a cada ano, pois os produtores assinam um contrato com a Monsanto, comprometendo-se a não guardar sementes para a próxima safra. Jim verificou uma redução de produtividade na soja transgênica de aproximadamente 50 kg por ha.
A possível economia que os transgênicos representam com relação à redução de aplicação de herbicidas não entusiasma muito o produtor, porque suas lavouras apresentam pouca infestação de ervas daninhas.
A jornalista Cristina Côrtes viajou aos Estados Unidos a convite da Faep.Sistema é adotado principalmente por pequenos produtores que estão preocupados com conservação dos solos
Conservação O produtor Jim Kimsella falou sobre a composição do solo e as necessidades de conservaçãoGrupo de produtores brasileiros conhece estrutura de propriedades totalmente mecanizadas





