Pouco cuidado com solo aumenta perdas
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de fevereiro de 2019
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 

A pesquisadora do Iapar Graziela Barbosa destaca que a melhor regulagem do maquinário é mais eficaz do que outras medidas comumente adotadas pelos produtores rurais para ganhar produtividade em uma mesma área. "O produtor tem perdas que não percebe. Com a má regulagem de máquina ele já perde, mas tem aquele que tira o terraço e deixa a água escorrer para fora da propriedade com parte do fertilizante que ele colocou, para depois ter de gastar mais dinheiro para colocar mais", diz.
Ela afirma que é comum ter produtores que tiram terraços da propriedade porque calculam que perdem "duas ou três linhas", mas que há outros modos de reduzir custos e aumentar a produtividade. O exemplo da regulagem de maquinário é apenas um deles. "Se não deixa uma boa palhada, a temperatura do solo fica muito alta. Nesse veranico, medimos a temperatura do solo em uma propriedade do Norte do Paraná que chegou a 57ºC. Não tem microrganismo ou planta que resista", conta Barbosa.
Para o técnico agrícola Alexandre Leôncio da Silva, do Iapar, os gastos com tecnologia também são em vão se não houver cuidado no trato com o maquinário. "Na lavoura de verão, fizemos levantamentos no Paraná e no Mato Grosso do Sul e percebemos que no carro-chefe, que é a semente de soja, o erro também é grande. No Mato Grosso do Sul, com máquinas maiores, com GPS, o erro cai um pouco. O agricultor usa semente de boa qualidade, faz tratamento com inseticida, faz as coisas corretas, e deixa a desejar na hora de regular a máquina."
AJUDA DO FILHO
Produtor de grãos na região de Londrina, Adílson Aparecido Francisco considera-se bastante cuidadoso com a regulagem do maquinário, porque sabe as vantagens que isso representa. É nos mínimos detalhes que ele conseguirá, por exemplo, evitar perdas maiores na safra 2018/19 de soja, quando enfrentou excesso de calor e seca.
Francisco diz que revisa todo o maquinário ao fim do plantio, principalmente o pulverizador, "o que mais trabalha". "Olhamos o disco que faz a distribuição de sementes e fazemos a contagem por metro em todas as 25 linhas. Também uso uma nova tecnologia que monitora o uso de sementes para a gente."
Ele conta que reforma terraços em todos os anos, por mais que alguns vizinhos digam que não seja mais necessário. Assim, evita problemas de erosão. "Tenho um filho que faz agronomia e ele ajuda muito, porque está o tempo todo verificando a profundidade da semente, o tamanho do sulco, o número de sementes que usamos, tudo", afirma o agricultor, que trabalha há 20 anos com plantio direto.
REGULAGEM NA COLHEITA
A Embrapa Soja lançou ainda nos anos 1980 o método do copo medidor volumétrico, um kit vendido pela instituição que permite a aferição do desempenho da colheitadeira, para eventual correção do trabalho. A metodologia foi adaptada às máquinas e às técnicas de cultivo atuais e é capaz de reduzir perdas e assim aumentar a eficiência da colheita. Uma pesquisa recente em Assis Chateaubriand (Oeste) em 30 mil hectares revelou que a economia com esses ajustes chega a R$ 2 milhões, em uma safra.
Com o material em mãos, que custa R$ 15, é possível usar uma armação de barbantes dobrável, de 1 metro quadrado, usada para delimitar uma área após a passagem da máquina. São recolhidos os grãos que estão no chão e colocados em um copo medidor, que cabe no bolso. Se o volume ultrapassa o limite, é preciso identificar a causa e fazer o ajuste.
O pesquisador José Miguel Silveira, da Embrapa, afirma que sempre há perdas e que o nível de tolerância é de uma saca de 60 kg por hectare. Ele cita que há inúmeros fatores que geram a necessidade de ajustes. "Existem áreas mais ou menos acidentadas ou sementes mais ou menos secas. Se a semente está muito seca, a vagem abre ao menor toque e é preciso colher mais devagar", explica.


