Potencial florestal e educação ambiental
O reflorestamento não convencional, fugindo do trivial pinus e eucalipto, também é um resgate do potencial florestal que existia antes da presença dos pioneiros na região. Partindo dessa premissa, Steidle está desenvolvendo um trabalho que já virou ponto de referência na região. Cerca de 2 mil pessoas, entre estudantes de Rolândia e cidades vizinhas, além de grupos de agricultores, pesquisadores e ambientalistas visitam todo ano a Bimini.
Steidle diz que o modelo ambiental desenvolvido por ele não pretende entrar em atrito com o método utilizado pela agricultura tradicional. ''Não podemos nos dar ao luxo de ser uma ilha'', observa. Segundo o ambientalista, não dá para fugir da realidade do capitalismo, mas isso não significa que não se pode mudar a mentalidade dos agricultores. Nesse sentido, ele nota que ''a resistência é maior barreira a ser derrubada.''
A idéia da educação ambiental, a principal bandeira de Steidle, formado em admistração rural, teve início com o avô dele, Hans Kirchhheim, que veio da Alemanha em 1936. Hans, comerciante de tecidos, comprou o lote de terras em Rolândia e se aventurou com a esposa, Hildegard, formada em medicina. Desbravar e derrubar a mata eram sinônimos de desenvolvimento, o que em pouco tempo levou ao desaparecimento de quase toda as árvores da região.
No início da década de 1990, quando Hans estava com 90 anos, ele decidiu que o lote de terras deveria voltar a ter a paisagem original. O neto, Daniel Steidle, deu continuidade ao desejo do avô. O sonho da família é tornar a fazenda em consonância com o significado do nome: Bimini. Segundo Steidle, nas três semanas de viagem ao Brasil, os avós leram um livro sobre uma terra lendária, onde existiria uma fonte da eterna juventude. Ao chegarem em Rolândia, confirmaram que a terra existia e nela havia fontes de água natural. ''De um sonho, assim nasceu a Fazenda Bimini'', diz o neto. (M.B.)





