Potencial de 200 sacas por hectare
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de maio de 1997
Jota Oliveira 
Com produtividades que chegam a 160 beneficiadas sacas por hectare, lavradores de vários municípios estão obtendo ótimo retorno por área e comprovando que o café volta a despertar interesse e ser cultivado em bases mais seguras, no Estado.
O pesquisador Tumoru Sera, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), salienta que a produtividade de 160 sacas beneficiadas foi obtida, por exemplo, por Akira Shibazaki, de Abatiá, No Norte pioneiro, em uma lavoura de apenas dois anos e dois meses. O coordenador de Lavouras da Emater na região de Cornélio Procópio, Cilésio Abel Demoner, diiz que naquela região, onde começou a prática do café adensado, hoje a produtividade média é de 63 sacas beneficiadas por hectare, mas há produtores que obtêm até 190 sacas/ha.
Alta produtividade em diversas variedades de café no sistema adensado, e a tecnologia adequada serão demonstradas dia 23, em Ribeirão do Pinhal, no Sítio Pica-Pau, de Sinésio Andrade Borges, no 2º Encontro Regional de Café Adensado.
Neste sistema, bem conduzido, um hectare de café vale por dez hectares do sistema tradicional, destaca Tumoru Sera, do Iapar, ressalvando que o sucesso depende de como o lavrador conduz sua plantação. Ele salienta este aspecto porque, diz, produzir café não é só plantar. Para obter alta produtividade, é preciso usar a tecnologia recomendada.
AmostraO 2º Encontro Regional de Café Adensado em Ribeirão do Pinhal será uma mostra da aplicação da tecnologia desenvolvida pelo Iapawr para este sistema de cultivo; do desempenho das variedades que estão sendo cultivadas e das produtividades obtidas conforme a idades das lavouras (algumas estão dando este ano a primeira carga, enquanto outras produzem há vários anos). A diferença de idade das lavouras é responsável pela média, também alta, de 63 sacas por hectare na região (o Brasil produz em torno de 10 sacas/ha; o Paraná, 15 sacas/ha), nesta colheita, porém Cilésio Dalmoner salienta que o potencial é de 200 sacas/ha.
Na região de Cornélio Procópio o café adensado ocupa nesta safra 3 mil hectares, dos quais 500 ha em produção. As lavouras cultivadas no sistema tradicional ocupam 13.200 ha, produzindo em média 12 sacas/ha. Os cafeicultores que obtêm estes baixos rendimentos poderão observar, no dia-de-campo durante o encontro regeional, como aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do café que está sendo colhido. No dia-de-campo os visitantes poderão ver, em seis baterias, as seguintes práticas: café secado em sombrite; secado em terreiro; beneficiamento em máquina montada sobre caminhão; variedades cultivadas; espaçamento e colheita no pano.
Antes da prática ouvirão palestras, na parte da manhã, no Ginásio de Esportes de Ribeirão do Pinhal, sobre: Oscilação de mão-de-obra regional, Mercado do Café; Qualidade do café, e Comparação de produtividade entre os diversos espaçamentos e variedades.
Importância socialSomente no município de Ribeirão do Pinhal, a cultura do café emprega 500 famílias (cerca de duas mil pessoas), em mais de duzentas propriedades. O pagamento aos trabalhadores chega a R$ 2 milhões e 400 mil reais por ano.
Com o aumento da área plantada, e um maior número de produtores cultivando no sistema adensado, aliado à diversificação, procura-se a melhoria das condições de vida do cafeicultor e uma maior distribuição de renda, maior arrecadação do ICMS e maior progresso para o município, observa a Comissão Municipal do Café.


