Quem não gosta de uma cerveja gelada com um churrasco no final de semana? Mas, de onde vem tudo isso? Sabemos que a carne começa no pasto, confinamentos, granjas (agropecuária, “dentro da porteira”), depois vai para o frigorífico (agroindústria, “fora da porteira”) antes de chegar nos supermercados.

O Paraná é uma potência na produção de carnes. Segundo o IBGE, o Estado possuía no segundo semestre de 2023 aproximadamente 30% do rebanho de suínos e 16% do rebanho de galináceos do Brasil. Foi o terceiro maior exportador de carne suína, com 40.582 toneladas, e o maior exportador de carne de frango, com 530.648 toneladas. É uma potência também na produção de grãos, afinal, é o segundo maior estado produtor de milho e o terceiro na produção de soja. Agora, afinal, você sabe de onde vem a cervejinha e o que isso tem a ver com o potencial?

A maior indústria de produção cervejeira mundial é brasileira, hoje uma multinacional presente em quase todo o mundo. Portanto, é bem provável que sua cerveja tenha sido produzida aqui no Brasil. Para sua produção, utiliza-se sempre água, lúpulo e malte. O que provavelmente a maior parte das pessoas não sabe é de onde vem essas matérias-primas. Água nós temos em abundância, a questão são os demais ingredientes. Normalmente são importados e aí que vem a questão do potencial.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), só da cevada, que é transformada em malte em um processo industrial onde passa por um processo de germinação e secagem, são importados mais de 30 mil toneladas por mês no Brasil. Atenta ao crescimento no consumo e produção de cerveja, a agroindústria paranaense tem investido para a produção dessas matérias-primas aqui no Brasil. Em 2023 a produção paranaense de cevada se tornou a maior do país (com mais de 360 mil tonadas/ano) se concentrando principalmente nas regiões de Guarapuava e Ponta Grossa.

Para transformar essa cevada em malte, em 2023 foi anunciado um investimento de R$ 500 milhões em nova maltaria, em Guarapuava, que deve entrar em operação em 2026. Em Ponta Grossa, nesse mês foi inaugurada uma maltaria que contou com investimento de R$ 1,6 bi. Um baita potencial.

Quanto ao lúpulo (responsável pelo aroma e amargor em cervejas) acreditava-se até 2015 que o Brasil não teria potencial para produzir, já que necessitava de condições climáticas específicas, até que um produtor da Serra da Mantiqueira, em SP, produziu 2000 quilos de lúpulo sem a utilização de técnicas artificiais.

Segundo a pesquisadora Aline da Rosa Almeida, do IFSC, em artigo publicado na revista Food Science Today, em janeiro deste ano, intitulado “Lúpulo no Brasil: Uma cultura promissora em ascensão”, em 2020 os EUA lideravam o ranking e produziam 40% de todo o lúpulo mundial. Afirma que se destacam na produção os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

Em março de 2024, no “O Perobal”, da UEL, foi publicado que ano passado o Brasil possuía 114 produtores de lúpulo, com uma área total cultivada de 111,8 hectares (crescimento de 133% anual) e 44 variedades cultivadas. Apresenta a parceria do professor Sérgio Ruffo, do Departamento de Agronomia da UEL, com o professor Alessandro Sato, da UFPR, que trabalham há cinco anos em Palotina com cerca de 20 variedades e o objetivo de selecionar as mais produtivas para as condições do Paraná.

E essas matérias-primas cervejeiras não vão somente para as grandes empresas produtoras de cerveja instaladas aqui no país. Segundo o Anuário da Cerveja 2022, as micro e nano cervejarias vêm se destacando no Brasil. Já representam 3% do mercado e são responsáveis por 97% de todas as fábricas do Brasil. Temos até um estilo próprio registrado no guia de cerveja BJCP, a Catharina Sour.

Os concursos cervejeiros estão cada vez mais sendo procurados, como Concurso Brasileiro de Cervejas de Blumenau, em Santa Catarina, e o Mundial de la Bier, do Rio de janeiro. O Paraná, apesar de “mais jovem”, também tem investido nesse movimento. Temos no Estado encontros cervejeiros em Curitiba, Maringá, Londrina (onde ocorrerá 1° Festival/Concurso de Cerveja Caseira de Londrina, em julho deste ano, e o 2º Encontro da Confraria da Cerveja do Norte do Paraná, em breve. Algumas instituições têm criado os cursos específicos para formação de cervejeiros, como é o caso do IFPR Londrina, que semestralmente oferece gratuitamente o curso de formação inicial e continuada.

Tudo isso é exemplo do potencial e da potência da agroindústria e universidades paranaenses, que, em sua diversificação geram empregos desde o campo até os bares e lares brasileiros. Que venham incentivos cada vez maiores para que esse movimento se consolide e se torne exemplo nacional.

Luiz Diego Marestoni, professor Ttular do IFPR /Campus Londrina e membro da Governança AgroValley Londrina.

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