Possibilidade de geadas fortes
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sexta-feira, 13 de junho de 1997
Jota Oliveira 
ArquivoFrioLavoura de café no Norte do Paraná atingida pela geada em 94Até agora não geou no Norte do Paraná, mas o inverno começa na madrugada do próximo sábado, cerca de uma hora antes do nascer do Sol. Os alertas de longo prazo chamam a atenção para a possibilidade de ocorrerem geadas fortes este ano. Mas, hoje, os efeitos de um frio desses não seriam tão desastrosos quanto em 75, quando ocorreu a pior de todas as geadas nas principais regiões cafeeiras do Brasil.
O produtor dispõe agora de uma tecnologia adequada às condições de cultivo no Estado (o café adensado, projeto de pesquisa desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná -Iapar) e variedades precoces de cafeeiros que voltariam a produzir em dois anos se fôssem seriamente atingidos pelo frio. E a própria tecnologia de cultivo indica que os cafezais devem ser plantados em áreas menos sujeitas ao fenômeno.
No período 1970-90, informa o Iapar, a área cafeeira paranaense sofreu uma redução de cerca de 60%. A maioria desapareceu após a geada de julho de 75. Em 1991 o programa de pesquisas cafeeiras do Iapar propôs um novo modelo tecnológico para o café no Paraná. Este modelo, lembram os pesquisadores do Instituto, é baseado no uso de tecnologias que possibilitam a auto-sustentação da propriedade, incluindo diversificação integrada na propriedade, alta eficiência produtiva, melhoria da qualidade do café e melhor aproveitamento dos recursos naturais.
ProteçãoApesar de todo esforço da ciência, não existem variedades do gênero Coffea tolerantes ou resistentes aos efeitos do frio forte que, se chega a causar perdas em culturas, diz-se que geou, embora não se veja a formação de gelo no ambiente. É preciso tomar uma série de medidas preventivas. Começa pela escolha do terreno, das mudas, do sistema de plantio, da limpeza das encostas onde existam lavouras.
Feito o possível para colocar o cafezal no lugar menos sujeito a geadas ou ao acúmulo de massas de ar frio, o cafeicultor pode, nas épocas mais perigosas (inverno, principalmente) usar métodos de proteção das plantas que possibilitem a minimização dos efeitos de eventuais geadas.
Segundo o Cepagri, órgão da Unicamp, o melhor método de proteção direta, caso se concretize a queda de 1 grau centígrado por hora das seis horas da tarde à meia-noite, é a irrigação por aspersão, alagamento, regador ou por outro meio. Métodos de proteção física como cobrir as mudas ou plantas com jornal, sacos de papel ou plásticos também são eficientes, orienta o Cepagri.
Mas, qualquer ação preventiva precisa ser feita antes do nascer do Sol, porque as plantas são danificadas antes disso, durante a madrugada. De nada adianta também queimar pneus ou fazer fumaça apenas, adverte o Cepagri.
SinaisExistem algumas condições, indicadoras de possibilidades de geadas, que podem ser observadas e levadas em consideração: 1 - céu claro; 2- ausência de ventos; 3 - baixa umidade do ar; 4 - temperaturas em declínio.
O cafeicultor, o horticultor e outros produtores podem acompanhar o comportamento da temperatura e, assim, saber se vai gear ou não na madrugada seguinte. A temperatura, em noites favoráveis a geadas, cai cerca de 1 grau por hora, das cinco da tarde às seis da manhã. Basta acompanhar até a meia-noite. Se a queda tiver seguido este ritmo, deve gear.
Funciona assim: meça, com um termômetro comum, as temperaturas na copa da cultura (nível das folhas externas superiores). Coloque o termômetro a 10 cm das folhas, exposto ao céu e comece a observar a temperatura por volta das 18 horas. Caso esteja ao redor dos 9 graus, significa - informa o Cepagri - que às 6 da manhã, com céu limpo e baixa umidade, chegará próximo dos -3 C nas folhas, podendo danificar cafeeiros. Se estiver em 12 C, chegará a 0 C, danificando plantas hortícolas e outras. Deve-se acompanhar a queda das temperaturas se possível de hora em hora, até meia-noite, recomendam os técnicos do Cepagri.


