Portos abertos para a carne bovina
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sábado, 24 de janeiro de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Abate ostensivo de matrizes, perda de área para a lucrativa cultura de soja e reclamações acerca dos preços da arroba. Por muitos anos, pensar na pecuária de corte remeteu a tais adversidades. Porém, no último biênio, o mercado externo tem olhado com carinho para a carne bovina brasileira, abrindo novamente os portos, confiando na sanidade e gerando valores recordes ao setor.
Os números ainda são pequenos quando avaliado o poder do País em relação ao setor avícola no exterior, por exemplo. Porém, a melhora nos preços da arroba, a parceria com países como Hong Kong e a recuperação de mercados pelo Paraná - como é o caso recente da Rússia - começam a auxiliar no incremento percentual das transações no exterior. Outra novidade é que na segunda-feira chega ao País uma comitiva técnica de iranianos que busca por fim ao embargo aos estados do Paraná e Mato Grosso. Eles se reunirão em Brasília e visitarão fazendas, frigoríficos e laboratórios técnicos nos dois estados.
A empolgação é clara e refletida nos números da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec), que reúne 25 empresas do setor no País e é responsável por negociar 95% do volume dos produtos para mercados internacionais. Em 2014, foram enviados 1,56 milhão de toneladas, alta de 3,3% frente ao ano anterior. Em relação a valores, o crescimento foi ainda mais significativo: de US$ 6,6 bilhões para US$ 7,2 bilhões, incremento de 7,7%. Só a carne in natura foi responsável por US$ 5,8 bilhões e volume de 1,24 milhão de toneladas. Vale destacar que o Brasil bateu recordes nos resultados mensais de faturamento em oito dos 12 meses do ano passado. No Paraná, a ascensão também foi significativa (leia no box).
Segundo o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli, o rearranjo do setor acontece há pelo menos dez anos. "O produtor antecipou a idade de abate dos animais, o mercado brasileiro está competitivo, a indústria é competente nas exportações e o governo fortalece a parte sanitária, revertendo embargos, o que fez com que batêssemos recordes em 2013 e 2014", analisou.
Na opinião dele, o mercado poderia ter sido ainda mais positivo, caso não fosse confirmado um segundo caso de achado priônico em 2014, no Mato Grosso, que acabou freando as exportações. Para 2015, a expectativa de Camardelli é a mais otimista possível, com o intuito de atingir a meta de US$ 8 bilhões em exportação, o que representa cerca 1,7 milhão de toneladas.
"Não falo isso baseado em projeções infundadas. Estamos com a expectativa de retomada de compras da China, o fim dos embargos da Arábia Saudita e Japão, além de vendas para o Estados Unidos no primeiro semestre. Além disso, uma comitiva do Irã chega o Brasil no domingo (amanhã) e esperamos um fim do embargo aos estados do Paraná e Mato Grosso", concluiu.
IMPORTADORES FIÉIS
Na somatória dos 12 meses de 2014, Hong Kong liderou novamente como o país que mais comprou o produto nacional. Foram exportadas quase 400 mil toneladas de carne bovina brasileira um aumento de 9% em comparação com o ano anterior atingindo um faturamento de US$ 1,7 bilhão (crescimento de 17%). A Rússia foi o segundo maior mercado com 314 mil toneladas (3% de aumento) com faturamento de US$ 1,3 bilhão (crescimento de 8%). Na sequência, vieram a União Europeia, com US$ 928,5 milhões (127 mil toneladas), Venezuela, com US$ 900,8 milhões (169,5 mil toneladas) e Egito, com US$ 611,3 milhões (165 mil toneladas).
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