PORTEIRA ABERTA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Jota Oliveira<BR>De Londrina 
Sistema não dá dinheiro a curto prazo, mas dá bom resultado no longo prazo no controle do meio ambiente. Conciliar a produtividade à preservação do meio ambiente tem sido um dos grandes desafios da área rural. A Embrapa Suínos e Aves, localizada em Concórdia, SC, vem despertado a consciência dos produtores para o aumento da vigilância ambiental. Uma das estratégias é a busca de alternativas para problemas práticos de agropecuária, como o destino dos resíduos produzidos nessa atividade. Por exemplo, a compostagem.
As carcaças de animais demandavam do produtor um esforço extra para eliminá-las. Uma alternativa é a compostagem, formada por restos de animais, em que as carcaça são transformadas em adubo, ''utilizável em áreas de reflorestamento'', diz a pesquisadora Doralice Pedroso-de-Paiva, autora do trabalho.
Para construir uma composteira, o agricultor deixará de gastar um dinheiro no longo prazo. Os ganhos são indiretos, tanto na diminuição de custos quanto na utilização de um adubo de melhor qualidade. O produtor gasta por ano cerca de R$200,00 anuais, para manter uma fossa. Construindo uma composteira, ela vai durar cerca de 10 anos, talvez 15, e o agricultor não terá o gasto anual. O gasto inicial da composteira é de R$400,00,
A composteira é uma estrutura simples de alvenaria, ou madeira, com dois ou três compartimentos, dependendo do tamanho da criação de suínos e aves do produtor. A composteira, normalmente, tem cerca de oito metros cúbicos
dois metros de altura, dois de largura e dois de comprimento (pode até
ser menor, se a produção do produtor for pequena).
Existe uma técnica de manejo que precisa ser levada em consideração, para que a compostagem funcione. A composteira também tem que ser aberta, para facilitar a liberação dos gases.
A compostagem bem feita, de animais, não tem cheiro ruim, nem atrai moscas. No caso do aparecimento de moscas ou odores, há a evidência de que existem erros de manejo. Não existem odores na compostagem, porque ocorre uma fermentação. O mau odor existe quando há putrefação. No máximo sente-se o cheiro de amônia quando se movimenta a massa.
Quando se deixa um animal apodrecer no campo, o agricultor corre o risco do mau cheiro, presença de animais que se alimentam de carniça, criação de moscas e propagação de doenças. É uma ação de alto risco para a propriedade rural.
É preciso observar a adição de água. Para cada 30 kg de carcaça, 15 litros de água e assim por diante, na mesma proporção. Quando a composteira é montada, coloca-se uma camada espessa de 30 cm de maravalha. Depois, as carcaças são dispostas de forma a não encostar nas paredes. Os animais com mais de 30 kg têm que ser esquartejados. As aves precisam ter o ventre aberto e as vísceras perfuradas. As peças não podem ficar amontoadas (distantes cerca de 10 cm uma das outras). Cobre-se tudo com material aerador (maravalha, resíduos de produção de lavoura) e depois se acrescenta água. Em locais muito secos, talvez seja preciso adicionar mais água. Isso o agricultor perceberá caso a compostagem não esteja ocorrendo dentro do esperado.
Existe o que os pesquisadores chamam de mortalidade catastrófica. Nesse caso, se a mortalidade for doença contagiosa, o indicado é abrir uma fossa sanitária, com aplicação de cal. Se não foi por doença contagiosa, monta-se uma compostagem emergencial ao ar-livre, de preferência na sombra de uma árvora, num local mais alto e seco, sem a presença de infiltrações de água. As carcaças são dispostas sobre uma cama de maravalha e por último cobertas com uma lona plástica, para evitar a penetração da chuva.


