PORTEIRA ABERTA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de junho de 2001
Jota Oliveira 
O País e as saúvas são oponentes; um não sobrevive sem o outro, embora as tentações sejam recíprocas. A saúva se alimenta de capim, árvores, galhos e plantas em geral. Ela forma um carreiro no mato, e logo nota-se a organização, um soldado atrás do outro. Essas mensageiras avisam a colônia a respeito de onde está comida, e dos perigos do clã em sua marcha com a comida nas costas. Logo nasce um formigueiro aqui, outro ali. A degradação causada nas pastagens pela formiga é notável no meio do capim. Logo, o boi está raspando o chão, porque não existe nada mais ali para o animal.
Para o controle de formiga, existem muitos recursos, como a fumigação. O lavrador fumiga em um, e a fumaça vai, numa explosão, também em outro buraco. Este era o sistema antigo, quando se usava apenas formicida Tatu. Às vezes funcionava, porém hoje até a fumigação é outra. Questão de se atingir o olheiro do formigueiro, em outro pasto. Mas, o buraco principal ainda precisa ser feito com trator de lâmina ou pá-carregadeira.
Hoje, para ser atingido o olho principal, com a rainha , fungo e soldados, é preciso descer três-quatro metros. Tem uma isca que o formigueiro leva pra dentro de casa. Assim, depende mais da formiga do que do formigueiro.
Como informa o engenheiro-agrônomo Luiz Geraldo de Carvalho Santos, um especialista em agricultura orgânica de São Roque, SP, deve ser utilizada isca à base de sulfluramida, um produto químico que não deixa resíduos.
A isca deve ser protegida do orvalho e da chuva, para que toda ela possa ser colocada na entrada do formigueiro. Se a isca tomar chuva, a formiga não a carrega mais. E a formiga precisa de uma quantidade de isca suficiente para acabar com o formigueiro. Essa isca só pode ser comprada com receituário agronômico. Ou seja, preenchido por agrônomo.
A forma ideal de acondicionar a isca, é colocá-la dentro de garrafas de refrigerantes de plástico (PET). É só colocar a isca dentro de garrafas deitadas no carreiro e fazer uma ponte do chão à garrafa, com um palito ou graveto, de modo que as formigas alcancem o interior das garrarafas. A saúva passa por essa pinguelinha e não vai cair. Deve ser colocada na garrafa quantidade de isca equivalente a um copinho descartável de café por olheiro, por dia, e passar para repor a isca todos os dias, até quando a saúva não estiver carregando mais isca.
Se o agricultor colocar um copo de 200 ml de uma vez, pode-se gastar mais do que o necessário e se for colocado um copinho de uma só vez, provavelmente não matará o formigueiro, mas a saúva aprenderá que a isca é veneno. Quando elas pararem de carregar a isca, e começar a botar para fora do sauveiro, é porque o formigueiro está morrendo, o fungo que elas cultivam já morreu; em poucos dias morre todo o sauveiro.
Em áreas muito infestadas, às vezes são necesssários vários quilos de formicida, mas funciona. Talvez dê para limpar um tanto quanto 20 hectares em duas semanas. Uma tanajura (rainha) passa dois anos embaixo da terra, formando um formigueiro. Depois que ela cava um buraco durante a revoada, é preciso atenção constante em áreas com incidência de cortadeiras. Não adianta esperar, porque foram eliminados formigueiros ativos, pois não é impossível aparecer outros, consequências daquelas revoadas. E daí ser necessário manter vigilância.


