Muitas marchinhas carnavalescas já rodaram nas vitrolas brasileiras. Entre elas, o tema dominante do deserto, do calor. E por falar em sol, o Saara é o maior deserto do mundo. No Norte da África, estende-se por 15 países, tem 7,7 milhões de quilômetros quadrados, do Atlântico ao Mar Vermelho, através do Norte da África; mais de 4,8 milhões de km2 do Oeste a Leste e quase 2 mil km2 da Planície.
Nessas dimensões, o Saara seria até maior do que o Brasil, mas é preciso aferir a área total: Brasil, 8,5 milhões de km2; Saara, 9 milhões km2 no total.
A situação do Saara é um modelo a ser considerado quando se discute a desertificação mundial. A desertificação começou a ser discutida pela comunidade científica nos anos 30, decorrente daquele fenômeno ocorrido no Meio-Oeste americano. Ali, houve intensa degradação dos solos. afetou uma área de cerca de 380.000 km2 nos Estados de Oklahoma, Kansas, Movo México e Colorado.
O fenômeno motivou os cientistas a iniciarem um conjunto de pesquisas e a mencionarem esse processo como sendo a desertificação, isto é, a formação de condições de tipo desértico em áreas de clima semi-árido.
Desde aquela época, os pesquisadores vêm dando atenção aos fenômenos que ocorrem nas regiões semi-áridas de todo o mundo, aquelas sujeitas a secas periódicas, e a constatação mais evidente é a de que essas áreas, por suas características físicas e limitações naturais, concentram as populações mais pobres e estão sujeitas a maiores níveis de degradação.
Mas, foi somente no início dos anos 70, quando ocorreu uma grande seca na região, localizada abaixo do deserto do Saara, conhecida como Sahel, onde mais de 500.000 pessoas morreram de fome, que a comunidade internacional reconheceu o impacto econômico, social e ambiental do problema, estabelecendo um programa mundial de ação para combater a desertificação.
A discussão conceitual sobre desertificação evoluiu durante os anos 80 e se consolidou no documento discutido e aprovado durante a Conferência do Rio, em 1992, a Agenda 21. Esta, em seu capítulo 12, definiu a desertificação como sendo ‘‘a degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas’’. Por ‘‘degradação da terra’’ se entende a degradação dos solos, dos recursos hídricos, da vegetação e a redução da qualidade de vida das populações afetadas.
Propuseram à Assembléia Geral que aprovasse a negociação de uma Convenção Internacional sobre o tema. A Assembléia Geral aprovou a negociação da Convenção, que foi realizada a partir de janeiro de 1993 e finalizada em 17 de junho de 1994, data que se transformou no Dia Mundial de Luta contra a Desertificação.
A Convenção Internacional de Combate à Desertificação, que já foi assinada por mais de 100 países, está em vigor desde 26 de dezembro de 1996, após a ratificação por mais de 50 países. Sua implementação se dará através dos Anexos de Aplicação Regional, dentre os quais destaca-se aquele dedicado à América Latina e Caribe.

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