PORTEIRA ABERTA
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sexta-feira, 04 de maio de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
Salários baixos e falta de equipamentos são as principais deficiências da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ao completar seus 28 anos. O aniversário foi no dia 26 de abril. Pouco antes o senador Edison Lobão (PFL-MA) ocupara a tribuna do Senado, para pedir a concessão de incentivos aos pesquisadores brasileiros, especialmente os da Embrapa. De fato, é um momento difícil para a pesquisa, que sobrevive mais da dedicação do seu pessoal.
Lobão lembrou, segundo o Jornal do Senado, que os pesquisadores da Embrapa são responsáveis por dezenas de descobertas de processos inéditos para aproveitamento econômico, enriquecimento e conservação de alimentos com produtos nacionais, que poderiam baratear a alimentação dos brasileiros e a merenda escolar.
O Senador lamenta que poucas descobertas tenham despertado o interesse das indústrias brasileiras, levando desânimo aos cientistas. Um deles, segundo Lobão, teria resumido desta maneira a situação: Se o governo Federal demonstrasse atenção para essas descobertas, que interessam sobremodo à nossa economia e ao bem-estar da população, todas elas seriam amplamente aproveitadas.
Lobão apontou, como um dos maiores sucessos da empresa nacional de pesquisa, o primeiro animal brasileiro clonado, a Vitória, uma bezerra da raça simental. Com essa clonagem bem sucedida, observou o senador, o Brasil deu o primeiro passo para dominar uma área de conhecimento que é a base da aplicação prática da transferência nuclear nos programas de conservação e melhoramento animal.
O senador recordou que as pesquisas de reprodução animal na Embrapa foram iniciadas em 1984, tendo por objetivo viabilizar o banco de germoplasma. Para ele, a combinação da clonagem com as demais técnicas de multiplicação animal, permitirá obter, em um ano, o ganho genético equivalente a 12 anos de seleção e multiplicação, pelos métodos tradicionais. O domínio dessa tecnologia possibilitará a reprodução acelerada de animais geneticamente superiores, a evolução de pesquisas de transgenia animal e a reprodução de raças animais ameaçadas de extinção no Brasil.
Na solenidade comemorativa dos 26 anos, às 20 horas do dia 26-4, no auditório da sede, em Brasília, a empresa anunciou o desenvolvimento de novas tecnologias e chegou a promover um desfile de moda com roupas feitas de algodão que já saiu colorido da roça. A Embrapa pertence ao Ministério da Agricultura, que geralmente se limita a pedir dinheiro a outras fontes, especialmente o Ministério da Fazenda. Portanto, é um ministério pobre. Mas, já passou do momento de abrir as porteiras para que seu pessoal especializado entre, não saia como tem acontecido ao pessoal da Embrapa e de outras instituições de pesquisa. Esse pessoal vai trabalhar, às vezes sob risco de vida, em projetos da ONU e de governos duvidosos, em outras regiões do mundo como na África conflagrada por revoluções; na América Latina assolada por traficantes de drogas e por grupos de guerrilha, ou no Oriente Médio envolvido na secular guerra religiosa, racial e há muito tempo política e econômica (petróleo, área vital). Muitos desses técnicos são sequestrados, desaparecem ou acabam desistindo de voltar à pesquisa agronômica nacional, atraídos pelos salários mais altos que recebem no Exterior ou no Brasil mesmo, de empresas multinacionais.
O pesquisador é o grande responsável pelo desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, por teimar em ficar, em ir adiante com seu sonho de ver satisfeita aquela idéia na qual trabalha. A Embrapa, apesar das dificuldades, tem procurado, mesmo com a água no pescoço, estimular seu pessoal. Assim como fazem as demais instituições do sistema nacional de pesquisa - os institutos estaduais, como o Iapar e o IAC; as universidades...Nem sempre conseguem manter-se, exceto pela dedicação dos seus técnicos.


