Porque em novembro arroba chegou aos R$ 60
Para entender o que aconteceu com arroba do boi em novembro, segundo Tito Rosa, é preciso voltar ao início da entressafra (abril/maio) deste ano. Na entrada de entressafra há, historicamente, uma maior desova de animais. O pasto não tem mais qualidade e o pecuarista quer evitar que o gado até perca peso. Com isso, aumenta a oferta e o preço cai. Esse ano, diferente do ''normal'' choveu bem no período de maio/junho e, portanto, não foi preciso vender com medo que o gado emagrecesse.
Houve também redução do número de animais confinados, em função da remuneração ruim que esta modalidade teve no ano passado. Com a alta dos componentes da ração (milho e soja), a dieta dos bois confinados ficou mais pobre. Esses bois demoraram mais para ficarem prontos, em peso de abate.
Com esse cenário, no meio da entressafra (julho/agosto), não havia mais bois no pasto e os de confinamento ainda não estavam prontos para o abate. Começaram a sair apenas no final de setembro e começo de outubro.
Segundo Tito Rosa, como não choveu muito no período (outubro) alguns pecuaristas puderam ''segurar'' mais os bois no cocho, reduzindo a oferta. Aliado a isso, o País viveu o momento político. Pecuarista viu no boi sua moeda mais segura e reteve o máximo seus animais até a definição das urnas. No mesmo momento o dólar explodiu o que foi vantajoso para a indústria exportadora de carne.
Diante da pouca oferta, o frigorífico pagou mais pela arroba já que tinha que manter seus contratos de entrega, interna e externa.
Apesar dos R$ 60/arroba, este não será um ano em que o pecuarista que faz a engorda terá lucros elevados.
O maior custo será com a reposição, que representa 70% do custo total de produção. Quem fez a engorda confinada terá uma lucratividade entre 7% a 8% em média, mas os que engordaram os animais a pasto deverão fechar o ano com uma margem média de 4%, abaixo do rendimento das aplicações financeiras.
A fase da recria - compra de bezerro desmamado e vende o boi magro -, é o que deverá fechar o ano com maior rentabilidade média: de 7% a 12%. Isso porque aquele pecuarista que comprou o boi magro este ano levou sorte com o clima. Chuvas favoreceram a pastagem e o boi magro, na sua melhor fase de desenvolvimento, come menos e cresce mais. Mas a lucratividade, avisa o analista, vai depender do poder de negociação para repor os animais.
O preço do bezerro veio da entressafra na baixa e agora começa a subir. Não subiu antes porque não tinha pasto. O pecuarista que comprou bezerros no começo de novembro fez os melhores negócios. A vantagem da relação de troca está caindo na recria. No meio da semana o bezerro (8 a 10 meses) já estava valendo R$ 368, de 12 meses R$ 404.





