Por uma lavoura mais sadia
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local
Seja de folha larga ou curta, as ervas-daninhas são sempre uma preocupação para o produtor. Na área de grãos, por exemplo, o capim-amargoso e a buva têm sido as plantas que mais oferecem problemas para a agricultura paranaense. Isso porque o Estado já registra casos de resistência ao glifosato, principal herbicida utilizado para combater essas pragas. Só a buva, se não tiver o controle adequado, pode reduzir em até 60% o rendimento da lavoura de soja.
Dionísio Luiz Gazziero, pesquisador da área de plantas-daninhas da Embrapa Soja, em Londrina, revela que qualquer tipo de herbicida está sujeito a sofrer problemas de resistência. O aparecimento de plantas tolerantes ao glifosato ocorre principalmente nas regiões Sul e Oeste do Paraná.
A tolerância a esse defensivo, revela o pesquisador, pode ser desencadeada devido ao manejo inadequado da lavoura. ''O uso contínuo e em abundância de herbicidas pode desenvolver biótipos resistentes'', reforça. O especialista da Embrapa explica que a adoção do plantio direto, por exemplo, trouxe mais condições de desenvolvimento para a buva e o capim-amargoso. Por conta desse fato, muitos produtores usaram de forma contínua e em excesso o glifosato, já que nesse processo não há remoção da terra para novo plantio e as sementes dessas pragas podem se desenvolver mais facilmente. Esse é um dos fatores que podem ter contribuído para o desenvolvimento de plantas resistentes.
No Oeste do Estado, principalmente nas proximidades da fronteira do Brasil com o Paraguai, estão aparecendo muitos focos de infestação pelo capim-amargoso. ''Essa planta é de difícil controle. A erva-daninha é combatida somente à base de glifosato'', explica Gazziero, completando que caso haja sintomas de resistência ao herbicida, uma das únicas alternativas é utilizar produtos pós-emergentes.
O pesquisador da Embrapa destaca que o controle de plantas-daninhas deve ser rígido, pois elas afetam diretamente o resultado final da safra. A buva, por exemplo, pode reduzir em até 60% o rendimento de uma lavoura de soja. O especialista destaca que o manejo adequado é hoje a principal ferramenta que o produtor tem ao seu alcance.
Entre as recomendações, Gazziero orienta que o período ideal para o controle de ervas-daninhas é durante a entressafra. Porém, ressalta que mesmo depois de ter iniciado a safra ainda há tempo para realizar o controle, já que as lavouras de soja do Estado ainda não fecharam. O especialista explica que no caso do capim-amargoso, o prazo máximo de cuidado vai até 40 dias pós-plantio, período em que a lavoura possui um espaçamento em que essa erva pode aparecer.
Já no caso da buva, o limite máximo de aplicação de herbicidas para o controle adequado deve ser realizado até quando a soja estiver entre 5 a 10 centímetros de altura. Por isso, Gazziero recomenda o monitoramento constante e o controle imediato ao aparecimento da planta invasora.
Bom exemplo
Valdir Yuyama, produtor de soja no município de Ibiporã e também engenheiro agrônomo, segue essa regra à risca. Na atual safra, Yuyama plantou 447 hectares da oleaginosa. Com as plantas ainda em desenvolvimento, faz a varredura da lavoura à procura de ervas-daninhas sempre que possível. Ele já identificou a presença da buva e também do capim-amargoso na propriedade em anos anteriores. Porém, sempre que identifica uma delas realiza imediatamente o controle químico ou a retirada manual.