Por que seremos líderes em exportação de carne bovina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de julho de 2001
Luiz Eduardo Batalha 
Faço coro às previsões do ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, de que em cinco anos o Brasil será o maior exportador mundial de carne bovina. Aliás, sou até mais confiante que o dirigente e acredito que essa liderança poderá vir até antes.
Não se trata de otimismo puro e simples. Trata-se de muito trabalho e uma excepcional vocação do País para a produção de carne vermelha de qualidade, exatamente ao gosto dos clientes do exterior, que estão ávidos por ela.
Vamos aos fatos, contra os quais não há argumentos. Em 2001, a Austrália deve permanecer liderando as exportações de carne bovina, vendendo pouco menos de 1,4 milhão de toneladas. Esse volume, voltado preferencialmente para o mercado japonês, norte-americano e asiático como um todo, representa 70% de tudo o que o País produz. Em outras palavras, é extremamente difícil para a Austrália aumentar sua oferta, uma vez que o seu rebanho já tem elevada taxa de desfrute (em torno de 40%) e há poucas possibilidades de ampliar a oferta rapidamente - até porque a terra não é exatamente propícia à criação de bovinos.
Segundo maior exportador da atualidade, os Estados Unidos têm muito mais com o que se preocupar. As cidades crescem - o custo da terra explode - e vão empurrando para longe as propriedades pecuárias. Essa situação cria um grave distúrbio ao meio ambiente, até porque o confinamento é a prática de manejo mais utilizada e, por questões de resultado financeiro, o volume de animais por instalação é sempre contado na casa das milhares de cabeças. A carne bovina norte-americana também tem um marca: recebe hormônios. Com isso, muitos compradores olham com desconfiança para o produto.
Analisado em conjunto, o bloco europeu tem grande rebanho e produção. Porém, a população não suporta mais ter de pagar pesados subsídios para manter os criadores no campo. Por outro lado, há pouco espaço disponível para a atividade e em países menores a questão dos dejetos já superou os níveis de atenção, exigindo posições mais firmes das autoridades. E não é apenas isso: a recente ocorrência do mal da vaca louca e da febre aftosa está fazendo com que o investimento na pecuária seja muito melhor analisado. Por tudo isso, o melhor é comprar de fora. E escolher o produto que melhor lhe convém.
O Brasil manteve-se durante vários anos em um patamar intermediário em exportações de carne. Convivíamos internamente com uma série de problemas, especialmente de ordem sanitária, tendo a febre aftosa sempre se sobressaído como fator negativo. Bastou a certificação do extremo sul do País como área livre sem vacinação e, mais recentemente, de praticamente todo o Centro-Sul como área livre, mesmo que ainda com a necessidade de imunização dos rebanhos, para que o Brasil ganhasse fôlego para vender mais. Em 2000, foram cerca de 650 mil toneladas e, para este ano, as previsões apontam para até 800 mil toneladas.
Em outras palavras, bastou um pálido movimento da pecuária nacional e já vendemos metade do que exporta a Austrália. O pecuarista profissional, que vive da atividade e investe nas modernas tecnologias - genética, alimentação e manejo, por exemplo - sabe onde podemos chegar se avançarmos somente mais um pouquinho. Atualmente, a taxa de desfrute do rebanho nacional gira em torno de 21%. Se ela crescer para 25%, o volume de animais para abate sobe de 32 milhões de cabeças para mais de 38 milhões de animais. Em carne, é uma montanha de mais 1,5 milhão de toneladas para atender a população brasileira e estar disponível para os sedentos consumidores do exterior.
O autor é pecuarista e coordenador do Programa Red Beef Connection


