Criados na década de 70 com o objetivo de formar lideranças nas comunidades, ajudar na administração da cooperativa e levar as reinvidicações dos cooperados para a direção, os comitês educativos tinham um importante papel no fluxo de informações entre cooperados e cooperativa.
Hoje pouco resta destas estruturas. No Paraná, de acordo com dados do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), das 65 cooperativas agropecuárias, apenas 22 mantêm estruturas semelhante. Estas estruturas hoje são definida como organização do quadro social e totalizam 436 núcleos e comissões por produto.
Os comitês educativos originais começaram a perder força a partir do final da década de 80, início da década de 90, com a globalização e consequente competitividade do mercado. Segundo Leonardo Beoeshe, gerente de desenvolvimento humano do Serviço Nacional de Aprendizagem de Cooperativa, da Ocepar, neste período, as cooperativas começaram a se readequar para atender as necessidades do mercado.
''O trabalho social das cooperativas sofreram rupturas. Muitas, para reduzir custos cortaram os comitês'', afirma Beoeshe. As cooperativas vão se distanciando de seu princípio de origem e transformando-se em empresas. É neste contexto que os comitês educativos começam a desaparecer em muitas cooperativas.
O produtor de leite de Rolândia, Louis Baudraz, afirma que os pequenos produtores cooperados se frustraram com esta experiência. Ele foi integrante do comitê educativo da Corol, em Rolândia, entre 1987 e 1997, quando saiu da cooperativa.
Segundo Louis Baudraz, naquele tempo, muitas vezes as reinvidicações dos cooperados levadas pelos comitês para a diretoria, não eram atendidas. ''Era frustrante. Eu fiquei desencantado com o comitê e saí da cooperativa''. Baudraz afirma que os produtores de uma forma geral foram se afastando dos comitês e esse movimento se enfraqueceram.
O enfraquecimento dos comitês educativos não ocorreu apenas no Paraná. Aconteceu em todo o País.
Luzia Deliberador, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e cooperada já deu cursos para comitês educativos e conta que o objetivo era desenvolver o espírito cooperativista. Na sua avaliação falta mobilização dos pequenos produtores para pressionar as cooperativas e o governo para que atendam as suas necessidades. ''Se os produtores rurais (pequenos e médios) fossem mobilizados como os das cooperativas do MST as coisas mudariam'', afirma.
Alguns produtores, que preferem não se identificar, afirmam que em muitos casos não há interesse das cooperativas em manter uma organização do quadro social e que as mesmas pessoas se mantêm na direção por décadas. Um dos objetivos dos comitês educativos originais era justamente criar lideranças para manter a rotatividade na direção das cooperativas.
Leonardo Beoeshe, da Ocepar, afirma que há responsabilidade dos cooperados no atual quadro. ''Muitos associados não conhecem o estatuto da sua cooperativa e não assumem sua co-responsabilidade'', afirma.
O chefe da Secretaria Geral da Corol, Fábio Luiz Iwakura, afirma que há espaço para os cooperados participarem. Ele afirma que são feitas reuniões regulares (a cada dois ou três meses) com os 18 comitês constituídos nos entrepostos da Corol. Cada comitê conta com 30 a 40 membros.
Alguns produtores, segundo Iwakura são menos atuante, mas na sua avaliação a participação é expressiva. ''Na última assembléia, dos 4.400 associados, mais 1.100 estavam presentes''.

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