Por que o preço do leite caiu?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de julho de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
O preço de referência do leite no Paraná registrou pequena queda se comparados os valores projetados para junho. Com a cotação estimadas em R$ 0,4598 pelo Conseleite, o valor de referência do tipo padrão, em junho, fechou em R$ 0,4570.
A tendência, para julho, é a manutenção deste valor, refletindo no que o presidente do Conseleite, Ronei Volpi, chama de ''estabilidade para o mercado.''
Embora nada justifique a queda, os valores ainda estão acima do que o produtor recebeu entre janeiro e abril. De R$ 0,39 a R$ 0,43.
Segundo o IBGE, a oferta ajustada do produto tem mantido o preço em alta. Em média os preços pagos aos produtores registraram alta de 3,6% em relação a abril de 2003. Em relação a junho de 2002, os preços atuais são 32,3% superiores se não for considerada a inflação. Deflacionada pelo IGP-DI a alta fica em 4,2%. Considerando-se o primeiro semestre, a alta dos preços aos produtores foi de 12,9%.
A média dos preços do leite C, ao produtor, em junho, ficou em R$ 0,5015 em Goiás; R$ 0,4579, no Paraná; R$ 0,4594, no Rio Grande do Sul; R$ 0,5061 em Minas; R$ 0,4857, em S.P. A média nacional ficou em R$ 0,4662.
Para julho a projeção é de 0,4505. O mercado trabalha com uma pressão baixista ao produtor, embora o consumidor esteja pagando mais caro pelo produto.
Queda de temperatura, chuvas e geadas, segundo Volpi, reduzem a produção, o que gera menor volume captado, menor oferta e, portanto, poderia, pelo menos, manter as cotações. Os produtores também acreditam que o aumento de consumo, neste período, possa auxiliar na estabilidade do mercado.
Esse cenário indica que os produtores estão conseguindo aumentar a renda?
Não. Mesmo com os preços estáveis, o aumento acumulado dos custos de produção reduz o ganhos e o poder de troca do leite. Segundo a agrônomoa Maria Silvia Cavichia Digiovani, da Faep, são necessários mais litros de leite para adquirir uma mesma quantidade de insumos.
Em relação a junho de 2002, segundo a agrônoma Maria Silvia, os principais itens da alimentação dos animais sofreram os seguintes reajustes de preços: farelo de soja 36,75%; silagem de milho 38,41% ; sal mineral 35,78%.
Dados do CEPEA/ESALQ-USP apontam que para adquirir uréia para suplementação alimentar o produtor emprega atualmente 23% a mais de litros de leite do que gastava em junho de 2002, o mesmo acontecendo com arame ovalado de 1000m que custa ao produtor 24% a mais em litros de leite.
Daqui para a frente, segundo Volpi, a tendência é que comece a haver recuperação de oferta em função das condições climáticas. Ele pergunta se isso é justificativa para que se comece a falar em queda do preço aos produtores. ''A resposta é não. Influenciada por fatores como o crescimento de exportações e diminuição de importações que aumentam a importância da produção doméstica, não poderíamos falar em queda.''


