Por quê a exposição atrai multidões?
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Por que a Exposição Agropecuária mexe tanto com a cidade? São apenas 11 dias de feira mas, neste período, Londrina se transforma. Eventos culturais na região central deixam de ser realizados nesta semana, os bares e restaurantes tradicionais ficam vazios. Tudo porque está acontecendo a Exposição e, nesta semana, o povo todo estará lá. O público que converge para o Parque Ney Braga vai de estudantes de escolas públicas a operários e profissionais liberais, passando por universitários e donas de casa. No ano passado foram 830 mil pessoas no total. Como explicar esse fenômeno?
Para tentar responder à pergunta, a Folha procurou a professora do Departamento de Ciências Sociais da UEL, Raimunda de Brito Batista, 61 anos, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e que ministra as disciplinas de Folclore, Cultura Brasileira e Cultura e Sociedade. Para ela, o principal elemento que atrai o povo à feira é a imagem de imponência, riqueza, modernidade e de prosperidade qua Exposição passa ao público e que a maioria deseja.
O cidadão comum almeja o sucesso e, no caso da Exposição, se sente participante desse sucesso só pelo fato de chegar perto de um artista famoso, conseguir um autógrafo. Chega até a posar para foto ao lado de um boi campeão ou de uma colheitadeira que nunca terá dinheiro para comprar. Acho que as pessoas são carentes desse tipo de sonho. E essa ilusão de se sentir integrante daquele meio é algo que está no inconsciente coletivo da população, analisa Raimunda.
Na visão da professora, a imagem de imponência que a Exposição passa em sua opinião é um momento de exaltação da riqueza em meio ao cenário geral de crise acaba influenciando a maioria. Isso reflete um jeito de ser de parte da população. Essa atitude de imponência, de buscar dirigir, mandar, é algo que está na cultura do londrinense que veio aqui buscar riqueza e prosperidade, opina.
Londrina, em sua visão, tem uma feição moderna, mas é provinciana culturalmente. Sou de Campina Grande, na Paraíba, que é uma cidade menor que Londrina, mas que considero mais aberta culturalmente. Lá existem mais áreas de lazer e um maior número de opções culturais. Só que conta também o fato de ser uma cidade já com 150 anos, enquanto Londrina teve uma urbanização recente, ressalva Raimunda.
Ela conta que quando chegou a Londrina, em 1972, a cidade ainda tinha fortes traços rurais, vivia o auge do café. Lembro que levava as minhas crianças à Exposição para se divertirem e verem os bichos. A Exposição era o evento do ano. O curioso é que hoje continua sendo, mesmo a cidade tendo mudado o seu perfil.
Isso acontece, segundo a professora, pelo fato da cidade ter poucas opções culturais. Quase não temos shows e apresentações a um preço acessível, que o povo possa pagar. O que tem de bom é muito caro. Daí, quando trazem algum artista conhecido na Exposição, o povo todo vai conferir, porque está ávido por algo diferente, explica.


