Por que a agricultura orgânica cresce tanto?
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sexta-feira, 09 de maio de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Safra de orgânicos no Estado deve crescer cerca de 40% este ano. A estimativa foi feita pelo coordenador estadual de agricultura orgânica da Emater, Iniberto Hamerschmidt. A projeção de crescimento, segundo ele, é maior que no ano passado quando foram colhidas 47.958 toneladas. Os números, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), mostram o crescimento firme da atividade. A soja é o principal produto cultivado no sistema orgânico.
O perfil dos produtores de orgânicos no Estado, segundo Hamerschmidt, é basicamente de agricultura familiar. Exitem atualmente 3.500 produtores que se dedicam a esse sistema de produção. A área média por produtor é de 3,7 hectares. ''É a nossa luta social para manter o pequeno produtor no campo'', enfoca. O coordenador, entretanto, não descarta a entrada de médios e grandes produtores no sistema, como já ocorre no estado de São Paulo. ''Há três anos havia 450 mil pequenos produtores no Paraná. Hoje eles são 363 mil. Os grandes proprietários estão comprando as pequenas propriedades'', informa.
Maurício Tadeu Lunardon, do Deral, destaca a maior rentabilidade proporcionada pelos orgânicos. No caso da soja, exemplifica, o prêmio recebido pelos produtores, por ser um produto de maior valor biológico, livre de agrotóxicos e não transgênico, fica em torno de 50%. ''Mesmo a produtividade média sendo menor que a obtida na soja convencional, a rentabilidade da orgânica é 31% maior'', garante. O cálculo da bonificação, explica o técnico do Deral, é feito comparando os custos e os preços de venda no início da safra atual. O coordenador estadual de agricultura orgânica completa dizendo que o custo de produção é 10% a 15% abaixo do sistema convencional. Hamerschmidt informa que, apesar de um crescimento anual de 50% no consumo dos orgânicos, a produção da soja é basicamente para exportação, como ocorre também com o açucar mascavo: ''o preço é atrativo e a moeda de negociação é o dólar''. Já as hortaliças e frutas possuem mercado garantido no Estado.
A adoção do sistema de produção orgânica, explica Hamerschmidt, exige um período de ''desintoxicação'' da terra que pode demorar de um a três anos. ''Tudo depende do que se usava no solo'', observa. Em áreas de pastagem, livres de agrotóxico e adubação química, segundo ele, pode ser feita a correção do solo com calcáreo e fosfato natural, seguida de adubação verde e já se obter sucesso no primeiro ano da cultura. Na adubação a orientação é para o uso de uma leguminosa e uma gramínea, as mais utilizadas são o tremoço e a aveia.
Lunardon cita ainda que, além da soja e das hortifrutis, o Paraná produz também café orgânico e já registra crescimento nas culturas de trigo e milho. Isto porque a tecnologia de produção orgânica preconiza a rotação de cultura. A sustentabilidade das pequenas propriedades depende de várias alternativas de produção.
O milho, segundo o Deral, está sendo alavancada pelo crescimento da produção animal orgânica. A rentabilidade do milho é 25% superior à cultura convencional, com a vantagem de ser de fácil produção. Porém, o coordenador estadual diz que é preciso trabalhar com variedades rústicas, já disponíveis no mercado, pois as sementes híbridas ''são preparadas para um coquetel químico'', ilustra.
O leite orgânico, apesar de não poder ser comercializado como produto diferenciado, pois não tem registro no Ministério da Agricultura, Lunardon informa, que é o principal produto de origem animal. O Paraná possui ainda o registro da produção de carne de frango, suínos e peixes.


