Mário CesarPerigoFrancisco Carneiro mostra folha de laranjeira atacada pela minadora: porta aberta para o cancro cítricoImpedir a entrada de pragas originárias de outros países nas lavouras brasileiras não é responsabilidade apenas dos órgãos oficiais que realizam trabalhos de fiscalização. A população também tem o seu papel na prevenção de doenças que podem causar grandes prejuízos para a agricultura. Mas a falta de conscientização e as facilidades de trânsito para os mais diferentes países têm preocupado as autoridades do setor.
‘‘Londrina iniciou, neste mês de julho, os vôos internacionais, e em breve deverá começar a instalar o porto seco, que são porta de entrada para problemas relacionados à sanidade vegetal e animal’’, preocupa-se o engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura e do Abastecimento em Londrina, Francisco Carneiro Filho. Ele lembra que o perigo está justamente nos transportes sem fins comerciais, pois nestes não há fiscalização desses produtos.
O agrônomo argumenta que as pessoas, muitas vezes sem saber, podem disseminar as pragas (fungos, bactérias, vírus, nematóides) através do transporte de materiais como sementes, mudas, pequenos animais ou produtos de origem animal. Ele cita o exemplo de cães e gatos, que têm entrada permitida somente quando acompanhados de atestado de saúde e de vacinação contra a raiva. No caso de pássaros domésticos, a entrada só deverá ser feita mediante atestado de saúde expedido por veterinário do país de origem.
ConscientizaçãoO perigo maior é quando o produto transportado, seja de origem vegetal ou animal, é originário de países onde existem condições similares de adaptabilidade das doenças. Por isso é importante alertar a população e conscientizá-la do perigo. Segundo Carneiro, o Ministério da Agricultura elaborou uma lista de 207 pragas que atingem produtos originários do Mercosul. Destas, 22 foram consideradas, no ano passado, de maior risco potencial. Hoje, porém, a relação das mais perigosas só contém 20 nomes (ver box nesta página), pois duas delas, o minador-dos-citrus e a mosca-da-carambola, já foram introduzidas no País.
O minador-dos-citrus ou praga minadora (Phylocnistes citrella) é originária, ao que tudo indica, da Ásia. Como tem se espalhado muito rapidamente - em apenas um ano contaminou todo o País - acredita-se que seja espalhada pelo vento. A minadora, segundo Francisco Carneiro, é especialmente prejuducial no caso das lavouras novas, mas é sempre uma ameaça por facilitar a entrada do cancro cítrico nos pomares.
Sob controleMenos problemática por enquanto é a mosca-da-carambola (Batrocera carambolae), que está restrita ao município do Oiapoque (AP), no Extremo Norte do Brasil, e sob rígido controle oficial. Monitorada por cerca de 300 armadilhas, a praga não deverá atingir outras regiões.
De acordo com o agrônomo do Ministério da Agricultura, as restrições zoo-fitossanitárias, que podem resultar das inspeções feitas em portos e aeroportos pelo Serviço de Defesa e Inspeção Vegetal, são a única forma de impedir a entrada no País de produtos contaminados ou que representem algum perigo, daí a importância da conscientização por parte das pessoas, na opinião de Francisco Carneiro.
Para exemplificar o perigo que determinadas doenças representam, ele ressalta que a introdução do bicudo-do-algodoeiro praticamente dizimou a cotonicultura no Nordeste, onde se cultivava o algodão semiperene, de difícil controle de pragas. Carneiro lembra também da ferrugem-do-cafeeiro, que exige gastos extras no controle, e do nematóide-de-cisto da soja, que já provoca prejuízos em algumas regiões do País.

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