É cedo para dizer se a mosca-branca será problema nesta safra para as culturas em geral em todo o Paraná. Até agora, com chuvas mais constantes e temperaturas amenas, o clima não contribuiu para o aparecimento de alta população da mosca. No Paraná, neste ano, as primeiras coletas demonstraram que a população de duas das espécies do inseto (Bemisia tabaci e Bemisia argentifolli) ainda é baixa.
Uma das vantagens para o Paraná é que nesta safra, na região de Miguelópolis, no interior de São Paulo, onde no ano passado houve ataque de mosca-branca em diversas lavouras, a situação está sob controle.
Estado de alertaAté o momento a população do inseto não se mostrou em níveis elevados, mas seu período de aparecimento se estende até fevereiro e não há como garantir ou prever os estragos que ela poderá causar às lavouras como soja, algodão, feijão, entre outras.
O alerta é da entomologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Sueli Martinez. Segundo ela, um período de estiagem e temperatura mais alta poderiam ser suficiente para aumento da população do inseto.
Coleta nas lavourasO levantamento das espécies de mosca-branca começou no ano passado e continua nesta safra. Especialmente depois do que ocorreu em algumas regiões do interior de São Paulo, no ano passado, quando a mosca causou prejuízos nas lavouras. Culturas de melão, olerícola, algodão, soja e citros, entre outras. Em Minas Gerais e Estados do Nordeste também sofreram o ataque.
No Paraná, os trabalhos de coleta são realizados por pesquisadores do Iapar, em regiões produtoras de feijão, soja e algodão, no Noroeste, Nordeste e parte do Norte do Estado, na época da seca. Até o ano passado, segundo a pesquisadora, o problema com a mosca-branca (da espécie tabaci) estava controlado. O projeto atual tem objetivo de controlar também a outra espécie, a B. argentifolii.
De acordo com a pesquisadora do Iapar, até agora no Paraná, a espécie B. argentifolii só foi detectada em Londrina, no próprio Iapar, em cultura de feijão. Mas há possibilidade de se alastrar por outras culturas. Tudo depende da condição climática.
No ano passado houve também um caso em cultura de mandioca no Noroeste do Estado, com surto esporádico, fora de época. Pensou-se tratar da B. argentifolii, que seria mais problemática, mas era a B. tabaci.
O zoneamento agrícola da cultura de feijão no Estado, não recomendando o plantio no Norte do Paraná na safra da seca, contribuiu para evitar alta população da mosca-branca. Outra medida foi o uso de variedades resistentes ao problema do mosáico-dourado, doença transmitida pela mosca-branca da espécie B. tabaci.
Antiga conhecidaA espécie Bemisia tabaci era conhecida no Paraná como praga de feijão. Mas já ocorreu em regiões mais quentes, como Norte e Noroeste, também nas culturas de algodão e soja. Hoje a área de algodão diminuiu em todo o Estado e a mosca ainda não tem causado grandes prejuízos, a não ser quando aparece em alta população, o que não tem sido comum na cultura.
No caso da soja também se verificou alta população da mosca. A pesquisa alerta, no entanto, que a B. argentifolii, pode causar danos como praga, por injetar, ‘‘provavelmente’’, toxinas nas plantas, transmitindo viroses.
A B. argentifolli afeta também hortaliças e se mostra resistente aos inseticidas. Suga a seiva e injeta um tipo de toxina no caule das plantas. O tomate, por exemplo, endurece e não amadurece. A mesma coisa acontece com o brócolis e quiabo, entre outras hortaliças.
Culturas hospedeirasA B. argentifolii foi identificada a partir de 1991, pelo pesquisador A. Lourenção, do Instituto Agronômico de Campinas, em São Paulo, a partir do surgimento em altas populações em culturas de interesse econômico.
Foram verificadas ocorrências em plantas ornamentais em Holambra (SP), tomate estaqueado, e em lavouras de produção de olerícolas (abóbora, brócolis, beringela, jiló e tomate). A partir de 1991 houve disseminação para o Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Bahia e Pernambuco.
Os principais danos relatados pelos pesquisadores de todo o País que estudam o comportamento da mosca, estão relacionados à ação tóxica de fumagina sobre as folhas, uma espécie de secreção açucarada dos insetos, depositada nas folhas, provocando secamento. Altas populações da mosca podem provocar necrose de folhas e produção de frutos irregulares, resultando em perda de valor no mercado.
Áreas de riscoA pesquisadora Sueli Martinez lembra que no Paraná são cultivadas grandes áreas de lavouras hospedeiras de Bemisia argentifolii, como feijão, soja, citrus e diferentes espécies de olerícolas, tornando o dano potencial dessa espécie bastante significativo para a economia paranaense.
O zoneamento ecológico realizado para a Bemisia tabaci, admite a pesquisadora, com base em suas necessidades térmicas, e o levantamento de incidência de mosáico-dourado em todo o Estado (principal dano causado pela espécie) ‘‘permitem identificar as regiões em que a mosca-branca tem maior potencial para se desenvolver, e que seriam consideradas as áreas de maior risco.’’
A pesquisadora também destaca: ‘‘É de se esperar que este mapeamento ajude a identificar as áreas de risco também para a Bemisia argentilofii, porque a biologia dessas duas espécies é bastante próxima.’’
Pesquisa de alertaO objetivo do projeto de pesquisa em andamento no Iapar é avaliar a possível ocorrência da espécie B. argentifolli no Estado, a distribuição geográfica, hospedeiros atingidos e transmissão de viroses. Desta forma, destaca a pesquisadora, ‘‘queremos saber o potencial de dano da nova espécie e fornecer subsídios para que medidas de manejo da praga possam ser tomadas mais amplamente nas áreas mais afetadas.’’

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