Para Élton Damin da Silva, chefe geral da Embrapa Florestas, a proposta do deputado Aldo Rebelo deve ser votada agora, mesmo com alguns pontos ainda controversos. ''Não podemos adiar isso novamente sem termos uma nova proposta real. Além disso, a lei ainda vai passar pelo Senado, onde os pontos mais polêmicos podem voltar à tona e serem novamente discutidos'', avalia Danin.
O engenheiro florestal da Embrapa aproveita para comentar de forma técnica algumas das questões mais discutidas. No caso da Reserva Legal (RL) para imóveis até quatro módulos, Élton acredita que a lei pode sim auxiliar os pequenos produtores, mas a moratória no desmatamento por cinco anos proposta no novo código deve ser bem rigorosa. ''Cada propriedade é uma situação, até porque os módulos rurais têm tamanhos diferentes dependendo da região do País. Por isso a importância de analisar bem esse conceito''.
Ele ressalta que reflorestar toda a área que já foi desmatada é inviável, já que o Brasil teve programas governamentais que incentivaram a derrubada das matas nativas e também porque não há sementes de espécies nativas suficientes para atender essa demanda. ''Isso não quer dizer que não temos muitas RLs e APPs para serem recuperadas, inclusive no Paraná. A moratória de cinco anos é pouco tempo para resolver tudo isso. É um período apenas para a sociedade civil e científica se organizar''.
No caso da compensação das áreas desmatadas, Silva diz que em alguns locais isso é possível realizar, mas se os biomas forem completamente diferentes a compensação será ineficiente. ''Nós da Embrapa defendemos a posição que o produtor deve se preocupar com áreas frágeis, que envolvem o solo e a água. Onde existem essas características bem conservadas, há vida, seja fauna ou flora''.
Já Leonardo Papp, consultor jurídico da OCB, acredita que o código deve ter como foco a busca pelo desenvolvimento sustentável, não considerando apenas a preservação da natureza, mas também um ambiente socialmente justo e economicamente viável para os produtores. ''Qualquer lei que não leve em consideração a conciliação dos aspectos ecológico, social e econômico não deve ser considerada uma legislação adequada. O atual Código Florestal concentra os esforços de seus instrumentos em lançar na ilegalidade áreas que já estão em produção, sem levar em consideração os impactos sociais e econômicos. Ao mesmo tempo, a atual legislação não tem demonstrado eficiência para proteger o que ainda remanesce de vegetação natural. Em resumo, ela é duplamente ineficaz''.

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