Mario CesarQualidadeSegundo Neme, presidente da Sociedade Rural, animais apresentados durante a exposição servem ao melhoramento genético dos rebanhosA casa de todas as raças. É assim que o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Luís Roberto Neme, define a Exposição de Londrina. Segundo Neme a mostra reúne não só quantidade e diversidade de animais, como também qualidade. ‘‘Os melhores reprodutores e matrizes estão aqui. Novas raças são conhecidas e aprovadas em Londrina.’’ Por ser a primeira grande exposição do calendário brasileiro e por estar num ponto estratégico no mapa do País, perto do Brasil Central e no caminho dos países do Mercosul.
Pecuaristas de todo o Brasil participam, segundo Neme, como compradores de animais da Exposição de Londrina. Estão participando, no setor de pecuária, 500 criadores (a maioria da Região Sul do País) que inscreveram 10 mil animais.
Há 20 anos, quando Luís Neme presidiu pela primeira vez a Sociedade Rural do Paraná, a Exposição não chegava a ter mil animais. A grande participação era do nelore, que permanece até hoje. Havia também muito gado gir, guzerá, charolês e, das raças leiteiras, holândes.
Novas raçasMais tarde começaram a participar animais das raças chianina e marchigiana, embora os bovinos gelbvieh já estivessem no Paraná há algum tempo. Foram importados da Alemanha pelos criadores Arnaldo Coelho do Amaral e família Vezzozzo. Os gelbviehs foram os primeiros animais que ficaram em quarentena no Parque de Exposições Governador Ney Braga. Mais recentemente chegaram as raças limousin e simental e, de uns oito anos para cá cresceu a presença de raças criadas no Rio Grande do Sul, como aberdeen angus, já consagrada pelo cruzamento com o nelore. Desse cruzamento surgiu o brangus.
DivulgaçãoVista aérea do Parque Ney Braga. Só em animais a organização da feira espera reunir 10 mil exemplares
Hoje, segundo Neme, raças como devon, belgian blue e outras de origem européia, por exemplo, procuram espaço entre os criadores que desejam fazer o cruzamento industrial no Paraná e no Mato Grosso. Há também a novidade do beefmaster, bovino importado dos Estados Unidos, que pela primeira vez está participando da Feira.
SeleçãoDe acordo com Neme a Exposição de Londrina sempre teve influência não só na pecuária paranaense, mas também nacional. ‘‘Foi aqui que aconteceu a seleção das melhores raças, tanto para a produção de corte como para leite’’.
Neme conta que em 1974, quando começou a trabalhar na Sociedade Rural, no registro genealógico dos animais, e ajudando a organizar as exposições, um touro nelore, que ganhasse o título de grande campeão nas pistas de julgamento, não passava dos 900 quilos. Hoje, depois da seleção dos criadores, um animal da mesma idade chega a pesar entre 1.100 quilos e 1.200 quilos.
Abate antecipadoO gado europeu, que antes teve um número pequeno de cabeças, hoje tem grande participação na feira. Das 26 raças que participam da Exposição este ano, 16 são de origem européia. A necessidade de antecipar a idade de abate dos animais destinados à produção de carne, antes essencialmente o nelore, fez com que as raças européias entrassem na história da pecuária brasileira, para o choque de sangue com o indiano. Isto deu precocidade ao nelore, base dos cruzamentos.
‘‘Hoje o pecuarista tem que fazer a seleção dos animais, para diminuir o tempo de permanência do animal no pasto. Não se pode mais matar animais apenas aos quatro anos de idade. Por isso há enorme variedade de raças adaptadas para reprodução e cruzamento com o nelore’’, afirma Neme.

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