O Brasil é o maior produtor mundial de café (33,4 milhões de sacas em 2007); maior exportador (28,1 milhões de sacas) e o segundo maior consumidor (17 milhões de sacas). Esse potencial faz com que o agronegócio café tenha grande peso na economia do País e, por isso mesmo, necessite de estratégias diferenciadas em todos os seus segmentos para atender às exigências de mercado.
  Esse foi o principal foco na 10ªreunião do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&Café), que ocorreu quarta-feira no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Foi a primeira vez que a reunião aconteceu fora de Brasília. Estiveram reunidos em Londrina, a convite do presidente do Iapar, José Augusto de Freitas Picheth, representantes das instituições fundadoras do Consórcio.
  A reunião pontuou que a cafeicultura em um mercado globalizado depende de alguns fatores, como: aumento de produtividade, qualidade do produto e valor agregado. Nesse aspecto, é preciso também que toda a cadeia produtiva passe a valorizar conceitos como marketing, segmentação de mercado, agregação de valor e certificação.
  Com uma produção estimada em 45 milhões de sacas para 2008, o Brasil precisa voltar os olhos do importador para a qualidade do produto brasileiro, afirma o coordenador do consórcio e chefe da Embrapa Aymbiré Francisco Almeida da Fonseca. Durante muitos anos, ele aponta que o País perdeu espaço, sem observar as necessidades do mundo. ‘‘Em 1914, o Brasil exportava 13 milhões das 15 milhões de sacas que o mundo produzia. Durante muitos anos o Brasil insistiu em manter algumas tradições na produção e, com isso perdeu mercado. Essa recuperação tem sido lenta mas já conseguimos avançar’’, argumenta Aymbiré. A previsão deste ano é destinar 25 milhões de sacas para exportação.
  ‘‘Não se reconquista mercado de uma hora para outra, isso depende da manutenção das características do produto de um ano para o outro, até porque a produtividade da cultura é bianual. Por isso, de 15 anos para cá, os produtores estão trabalhando de forma intensiva a qualidade do produto’’, salienta Aymbiré. Ele reforça que, se o País quiser mercado, tem que ter um café com valor agregado. Para isso, as pesquisas caminham em direção à redução do custo, a busca constante da qualidade, a produção com menor agressão ao meio ambiente e a identificação de novos mercados.
  Nesta corrida com os mercados internacionais, Aymbire observa que o Brasil precisa ter constância e volume para competir. ‘‘Daí a importância da pesquisa adaptar a cultura às determinadas regiões, levando em consideração as condições climáticas e trabalhando técnicas para o processo da colheita’’, diz o coordenador do consórcio.
  ‘‘Além da certificação, o conceito de sustentabilidade, embora já bastante difundido no agronegócio, é condição ‘sine qua nom’ para atingirmos outros mercados. Vender nossos apelos étnicos é outro ponto que pode ser explorado. O Brasil recebeu aqui diferentes etnias então porque não mostrar isso lá fora. Porque não mostrar aos italianos, por exemplo, que a mão-de-obra italiana que chegou aqui no século passado ajudou nos plantio dos cafezais?’’, questiona Aymbiré da Fonseca.

mockup