A laranja é a principal fruta produzida no Estado, ocupando 40% da área de fruticultura, 54% da produção e 29% do VBP
A laranja é a principal fruta produzida no Estado, ocupando 40% da área de fruticultura, 54% da produção e 29% do VBP | Foto: Marcos Zanutto



Uva, banana e frutas de caroço. Frutas que possuem uma representatividade econômica no VBP (Valor Bruto de Produção) do Estado, mas que infelizmente passam por uma retração de produção e área nos últimos anos, de modo geral. Levantamento recente do Deral/Seab (Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura) aponta um VBP de R$ 1,63 bilhão das frutas em 2017, o que representa apenas 1,9% do montante total de R$ 85,3 bilhões do agro estadual.

No que diz respeito a área, atualmente são 57,7 mil hectares destinados ao segmento, uma queda de 7% comparado a 2015, por exemplo. No caso da produção, de 1,5 milhão de toneladas de fruta no ano passado, a retração foi de 11,2% na análise do mesmo período.

Uma exceção acaba sendo os citrus. Apesar de 8% na queda de área no ano passado, que agora gira em torno de 22,5 mil hectares, a produção cresceu 12% no comparativo ao ano anterior e fechou em 847 mil toneladas. Vale dizer que a laranja representa 40% da área de frutas do Estado, 54% da produção e 29% do VBP. "O Estado inclusive voltou a produzir mudas. A citricultura tem esses resultados positivos justamente devido à congregação de esforços das cooperativas do Estado com o governo do Paraná", analisa o engenheiro agrônomo do Deral, Paulo Andrade.

O especialista relata que uma forma de reaquecer o cultivo de frutas está justamente em ações de estímulo, que envolvem entidades como o Instituto Emater, Iapar, técnicos e engenheiros agrônomos nas cidades e, claro, o governo do Estado. Ele cita por exemplo o caso do morango, que com uma área pequena, de 800 hectares (1,4% da área total), já consegue uma movimentação de R$ 176 milhões, o que representa 11% do VBP das frutas. "Quando existem esses esforços em conjunto, depois a atividade consegue caminhar sozinha. As entidades dão aquela indução e depois saem do circuito", opina.

Como a exportação ainda é apenas traço nos números paranaenses, com alguns casos pontuais como as goiabas de Carlópolis, o jeito é se virar para conseguir espaço no mercado interno. Andrade relata que as frutas paranaenses buscam outros estados para escapar dos concorrentes da região Sul. Mas o engenheiro agrônomo comenta que se o consumo fosse maior, haveria mais espaço para a produção e rentabilidade. "O ideal seria o consumo de 400 gramas diárias, mas o brasileiro só ingere 100 gramas. Não por acaso vivemos uma epidemia de obesidade, já que esquecemos das frutas e hortaliças no nossa alimentação diária." (V.L.)

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