Investir num consórcio de cultivos para agregar valor à produção agrícola é uma prática comum em tempos de crise. A fruticultura surge, então, como opção de diversificação. Para região de Apucarana, palco da Expotécnica, a Emater sugere o morango, a banana e a uva rústica como alternativas de mercado.
Segundo o agrônomo Elcio Rampazzo, implementador regional de fruticultura da Emater, mesmo sem tradição, a altitude e o clima da região de Apucarana são propícios ao cultivo do morango. ''Os municípios costumam buscar o produto no Sul de Minas Gerais por falta de produção'', assinala. Ele calcula um mercado consumidor de 250 mil habitantes distribuidos entre as cidades de Arapongas, Apucarana, Cambira e Jandaia do Sul. ''Abastecer este mercado pode ser a alternativa ideal de renda para pequenos produtores'', diz.
Cultivado entre os meses de março e setembro, o morango ainda preenche uma lacuna de produção na pequena propriedade. ''Tirando o café, não há outra cultura que dá dinheiro'', afirma Rampazzo. Entre as variedades sugeridas pela Emater, a camarosa, a campinas, a dover, a monte alegre e a sweet charlie são as que melhor se adaptam à região. Além disso, têm média tolerância à antracnose, doença que atinge a flor impedindo a produção do fruto.
''O melhor controle de doenças e pragas ainda é o defensivo'', aponta Rampazzo. No entanto, a racionalização do uso do veneno é fundamental para a entrega de um produto sem contaminação. ''Nessas horas a assistência técnica faz a diferença'', declara.
De acordo com o agrônomo, o Paraná conta hoje com 420 hectares cultivados com morango. São José dos Pinhais desponta como maior produtor com uma área de 160 hectares e o Norte Pioneiro é responsável por 30% da produção estadual. Na região de Apucarana, apenas três produtores investiram na fruta.
Rampazzo calcula que para cultivar um hectare de morangos são necessárias 60 mil mudas, sendo que cada planta produz em média 700 gramas. Entretanto, com até 10 mil mudas já é possível obter lucro com a lavoura. ''O custo de produção de um metro quadrado de morangos, que contém nove plantas, é de R$ 4,00. A produção gira em torno de seis quilos de fruta, que são vendidos por até R$ 8,00 livre, gerando um lucro de 200% sobre o investimento''.
O maior entrave, segundo o agrônomo, é a disponibilidade de mudas. O único viveiro está localizado em Pinhalão e só abastece aquela região. Os produtores, então, procuram mudas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo e a tendência é buscar também variedades argentinas e chilenas, ''livres de doenças'', conclui Rampazzo.

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