São frequentes as visitas de agricultores de outros Estados e até de outros países, que vêm conhecer de perto as propriedades paranaenses, e saber como os produtores do Paraná estão alcançando altas produtividades e competindo com produtores americanos, como por exemplo no caso da soja.
Graças à tecnologia, boa parte das áreas agricultáveis do Estado se recuperou e hoje serve de modelo. Os pesquisadores costumam dizer que ‘‘o Paraná é um oásis, comparado à situação de outras regiões’’. O coordenador da Área de Manejo de Solos e Água do Iapar, Celso de Castro Filho, destaca que hoje estão dando continuidade ao trabalho iniciado em 75 com o controle da erosão, implementando a visão de fertilidade do sistema de produção e não apenas o trabalho dirigido especificamente a um produto. ‘‘O produtor não pode mais pensar em um produto, mas tem que ver o sistema como um todo e integrado’’.
‘‘O Paraná é liderança no Brasil no plantio direto’’, afirma o presidente da Federação Brasileira de Plantio na Palha, Mauri Sade. Com 3 milhões e 861 mil hectares sendo cultivados no novo sistema, os agricultores paranaenses mostraram que é viável o plantio direto também nas pequenas propriedades. Além do Iapar, trabalham com pesquisa no Paraná a Embrapa Soja e a Coodetec.
HistóricoQuando a tecnologia do plantio direto começou a ser divulgada no início da década de 70, a crítica maior era com relação a sua restrição para implantação nas pequenas propriedades, comenta Sade. ‘‘Isto é coisa para os grandes’’, afirmavam os produtores, principalmente porque não havia máquinas adaptadas para os pequenos. Mas os pesquisadores do Iapar desenvolveram máquinas adaptadas para as pequenas áreas e resolveram o problema. ‘‘No começo os pesquisadores do EUA vinham nos dar suporte para implantar a tecnologia, hoje, eles vêm conhecer a nossa forma de fazer plantio direto’’, destaca Sade.
A exploração do solo paranaense foi predominantemente feita por métodos de preparo que utilizavam a queima de resíduos vegetais e o emprego de implementos pesados, que promoveram a degradação da matéria orgânica, a desagregação do solo e consequentemente a erosão.
Celso comenta que talvez por causa da qualidade do solo do Estado, os produtores não se preocupavam muito com sua conservação e iam aos poucos degradando as áreas. Nas regiões de fronteira agrícola, onde a atividade vem se expandindo, como nos Cerrados ou no Mato Grosso, os produtores tiveram que ser mais ágeis na adoção do plantio direto. ‘‘Nestas áreas a estrutura do solo não permite uma exploração no modelo convencional. Algumas regiões ficaram exauridas em apenas dois ou três anos’’, comenta Calegari.
MonoculturaOs sistemas de exploração com monoculturas são mais poluidores e esgotantes, promovendo uma degradação rápida do solos. Calegari explica que no Brasil, de maneira geral, o potencial de degradação dos solos é muito rápido.
Uma das técnicas do plantio direto que mais fortalecem o sistema é a rotação de culturas com adubação verde. Este trabalho foi iniciado pelo Iapar em 77, e hoje são muitas as opções de cultivares à disposição do produtor. Segundo Calegari, é possivel fazer os mais diversos consórcios com essas plantas, ‘‘construindo assim novos solos.’’

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