Apesar do segmento empresarial ter grande parcela na produção de commodities do Paraná – inclusive as que são voltadas para o exterior – a agricultura familiar possui grande representatividade no Estado, com aproximadamente 90% dos imóveis rurais. O professor de economia e extensão rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luciano de Almeida, é categórico: é preciso investir em políticas públicas, que incluem a Ater, para atender este nicho de produtores e, assim, o campo continue vivo.

Mais do que grandes extensões produtivas de soja e milho, Almeida acredita que a área rural precisa de pessoas para, de fato, se desenvolver. "É preciso saber qual é o tipo de desenvolvimento rural que se busca. Para mim, esse processo está ligado diretamente à gente no campo. Agricultores familiares que produzem e geram renda acabam tendo os filhos na escola, com posto de saúde, estrada e internet nestas localidades. O campo não pode ter apenas monoculturas de larga escala. Isso gera uma economia local fraca e sem preservação ambiental. É um campo sem história e sem cultura. Vai se tornando estéril e sem vida".

À partir desse pressuposto, ele não tem dúvidas que o governo estadual precisa investir com força em políticas públicas para esse tipo de produtor, o que consequentemente passa diretamente por ações no Instituto Emater. "A Emater continua a ter um peso muito importante para a agricultura familiar. Os empresários do agronegócio têm acesso à informação pela iniciativa privada e não necessitam da extensão rural pública".

Para o professor, a extensão rural pública passa por um desmonte em seu serviço desde a década de 1990 em todo o País. Um problema concreto que reflete diretamente na vida dos agricultores, que tendem a abandonar o campo, a produção e partir para a cidade. "Entre tantos problemas, essa é a maior consequência: o esvaziamento do campo e o agravamento do êxodo rural". No caso da Emater parananense, Almeida relata que hoje ela está muito aquém do atendimento que poderia prestar, não por culpa do quadro técnico de colaboradores, mas sim pela falta de investimento governamental. "Falta reconhecimento do governo estadual da importância que este serviço tem, que não dá prioridade para a agricultura familiar".

Com o enfraquecimento e falta de extensionistas de órgãos públicos nas propriedades, ganham força os profissionais que são ligados a empresas privadas, como por exemplo das chamadas revendas agropecuárias. "O quadro técnico de revendas, agroindústrias e até algumas cooperativas indicam alguns produtos, mas tem cunho comercial, de interesse em vendas. Como o Estado não está lá para dar suporte a esses produtores, as empresas ficam mais fortes e persuadem o homem do campo com a difusão de tecnologias que muitas vezes buscam aumentar a sua rentabilidade. É como vender um remédio para doenças que não existem. Dessa forma, fica bem complicado o produtor sair ileso desse sistema." (V.L.)

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