O agrônomo Sérgio Carneiro, da Emater Regional em Londrina, órgão da Secretaria Estadual de Agricultura, acredita que novas políticas que têm sido executadas pelos governos municipais, estaduais e federais, podem amenizar o problema de sucessão na agricultura e viabilizar pequenas áreas para que mais gente possa se manter na atividade.
No Paraná, por exemplo, cita o técnico, programas de formação profissional e de transformação de produtos na propriedade, passando a ofertar produtos e não mais matérias-primas, podem agregar maior valor à produção agrícola e aumentar a renda das famílias.
''O Programa Redes de Referência para a Agricultura Familiar, iniciado em 1998, executado pela Emater/Seab em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com apoio de programas do governo como Paraná 12 Meses, Fábrica do Agricultor entre outros, tem procurado orientar os agricultores, mostrando alternativas de aumento de produtividade e, consequentemente, rentabilidade em pequenas áreas.''
Segundo o agrônomo, hoje o programa abrange 200 propriedades em 11 regiões do Paraná. Noventa por cento das propriedades do Estado são tocadas com base na agricultura familiar. Essas áreas são responsáveis por 50% da área agrícola do Estado e por isso devem ser viáveis para que as famílias continuem nelas e não aconteça a longo prazo um aumento na concentração de terras e um problema social para quem troca o campo pela cidade.
Segundo Carneiro, a formação educacional proporciona aos jovens não só uma melhor colocação no mercado de trabalho da cidade, mas também no gerenciamento da propriedade rural. ''A maioria dos jovens, apesar de sair da propriedade, têm o desejo em ter acesso a terra, não esquecendo das raízes. Muitos saem da área rural por opção, outros por falta de opção de renda, mas a grande maioria pensa em trabalhar para comprar seu próprio pedaço de terra.''
Por suas experiências como técnico Carneiro percebe que os pais têm incentivado que seus filhos sigam suas vocações. ''Alguns ainda pensam como a geração de seus pais e procuram fazer de tudo para deixar de herança um pedaço de terra para cada filho.''
O envelhecimento de quem está no meio rural, alerta o técnico, pode trazer consequências para o perfil agrícola. No Paraná, segundo Carneiro, em função do apoio oficial de políticas para o desenvolvimento de agroindústrias e outros sistemas de produção, esse processo não está tão acelerado. ''É importante que aconteça a capacitação e profissionalização de jovens agricultores, no sentido de torná-los empreendedores nos negócios da família para evitar problemas de sucessão familiar.''

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