Políticas públicas dão novo fôlego à produção
Apesar da região Sul não possuir uma grande área destinada aos orgânicos como acontece em outros locais do País, a produção paranaense tem sua representatividade. De acordo com dados do Instituto Emater, foram cerca de 140 mil toneladas produzidas em 2014, puxadas principalmente pelo crescimento no setor de hortaliças. Só em Curitiba, por exemplo, são mais de dez feiras destinadas a produtos livres de agrotóxicos.
O coordenador estadual de agroecologia do Instituto Emater, Paulo Lizarelli, explica que a atividade ganhou um novo fôlego de quatro anos para cá. Segundo ele, a entrada mais firme de políticas públicas, como as modalidades do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Aquisição Escolar (PNAE), associadas a uma remuneradora política pagadora - em média 30% a mais aos produtores de orgânicos - atraiu o pessoal. "Vale lembrar que os produtores certificados têm preferência de compra, logo atrás algumas categorias, como quilombolas e assentamentos. Graças a isso, os produtores buscam a certificação para poder comercializar seus produtos", explica Lizarelli.
Já do lado da sociedade, a procura por alimentos desse tipo também aumentou devido ao maior nível de informação da população, que busca alimentos mais saudáveis e sem agrotóxicos. "No Paraná, a grande maioria são agricultores familiares, que não conseguem ganhar escala com commodities. Por isso, a grande aposta está na diversificação dos alimentos, principalmente no que se trata da cesta básica. Pela facilidade de controle, a área de orgânicos que mais cresce é dos hortifrutis."
Entretanto, o coordenador salienta que há muito o que evoluir. Na concepção dele, os gargalos principais para a evolução do trabalho estão ligados à maior capacidade dos técnicos extensionistas e também dos produtores em entender o contexto dos orgânicos. "Falta seguir os princípios agroecológicos e entender que não se trata da substituição de insumos. Além disso, o entendimento de como funciona as políticas públicas atuais é essencial." Não por acaso, o Emater firmou uma parceria com o Núcleo de Agroecologia da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), ministrando cursos para extensionistas nas cidades de Bandeirantes e Cornélio Procópio neste mês de março.
Já no que diz respeito às certificações, Lizarelli comenta que hoje elas estão bem facilitadas, sendo que o Paraná é o primeiro Estado a subsidiar a certificação por meio do Programa Paranaense da Certificação da Produção Orgânica. "Se antes a certificação era um entrave, hoje ela é um facilitador para a evolução dos orgânicos."
Por fim, o coordenador lembra também do Programa Paraná Agroecológico, cujo decreto saiu em outubro de 2014 e a ideia é dinamizar a produção de base ecológica no Estado. "Também existem os trabalhos da Rede Paranaense de Pesquisa em Agroecologia (Repagro), que reúne produtores, pesquisadores, extensionistas e profissionais ligados a agroecologia. A rede está em processo de crescimento", complementa. (V.L.)





