Ana Maria Mejia
De Brasília
Especial para a Folha Rural
O Ministério da Agricultura acaba de eleger as três cadeias produtivas prioritárias da aquicultura brasileira: o mexilhão ‘‘perna-perna’’, o camarão marinho (Litopenaeus vannamei) e a tilápia. Na prática, explica o biólogo José Roberto Borghetti, assessor de Pesca e Aquicultura do Ministério, isso significa que essas espécies receberão o apoio do Governo Federal.
‘‘Pela primeira vez na história da aquicultura brasileira haverá uma política pública, com regras claras e voltadas para um objetivo específico: permitir, a curto prazo, que tais cadeias possam atingir níveis verdadeiramente industriais de produção’’, assinalou.
CrescimentoEstudos técnicos indicaram que, no caso do mexilhão, ainda não há estimativas futuras de oferta do produto para longo prazo. Entretanto, se for feita uma projeção, apenas baseada nas áreas já demarcadas para o cultivo em Santa Catarina, verifica-se que a curto prazo a produção poderá atingir 20 mil toneladas.
Borghetti disse que o Ministério está começando um trabalho de demarcação de novas áreas de cultivo, mais afastadas da Costa. A médio e longo prazos elas proporcionarão um incremento na produção de moluscos, podendo atingir até 50 mil t/ano. O camarão marinho é hoje a única área da aquicultura que recebe investimentos de grandes empresas. Há grupos instalados no País que têm até mil hectares de viveiros.
Com a introdução do camarão-do-Pacífico (Litopenaeus vannamei), em poucos anos a safra nacional passou de 800 toneladas para 8 mil toneladas. O assessor lembra que o mercado de camarões nos EUA é muito forte, projetando suas influências muito além do território norte-americano. ‘‘Futuramente, ele poderá incentivar as exportações brasileiras. Uma demanda em expansão, combinada com uma produção interna limitada e com o dólar valorizado, aumentaria os preços em até 20%, de um ano para outro’’, assinalou.
Tilápia: US$100 mi/anoO filé de tilápia vem substituindo a carne de outros peixes (geralmente marinhos), cuja captura tem diminuído bastante. O Brasil é um grande importador de filé de merluza, proveniente da Argentina e do Uruguai. Os carregamentos desse produto passam quase diariamente pela aduana de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai e Argentina, rumo a São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente.
‘‘A tilápia produzida aqui deverá ter todas as condições de disputar uma fatia importante deste mercado de cerca de US$100 milhões/ano’’, analisa Borghetti. Atualmente, as indústrias comercializam o filé de tilápia por aproximadamente US$2,80 a US$2,90 (preço FOB), enquanto o filé de merluza vinha sendo comercializado a US$2,60 a US$2,70 o quilo. ‘‘Se considerarmos a melhor qualidade do filé de tilápia, já temos a possibilidade de competição direta entre a tilápia e a merluza. Em última instância, a adoção dessa política de incentivos às três cadeias produtivas pode ser a melhor resposta à dúvida sobre como produzir com eficiência, qualidade e baixos custos’’, acrescentou o assessor.Haverá apoio oficial para a criação de tilápia. Incentivo será também para o mexilhão e o camarão
ArquivoA tilápia pode trazer bons rendimentos, segundo técnicos do Ministério da AgriculturaEmbora o consumo de carne de peixes ainda fique abaixo do esperado, a criação pode ser alternativa de renda

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