Polinizando novos mercados
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sexta-feira, 07 de maio de 2010
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Ortigueira, localizada na região central do Estado, sempre foi destaque na produção de mel, em qualidade e quantidade. ''Dizem que o mel da nossa cidade é o melhor'', brinca Ana Mozuski Kutz, presidente da Associação dos Produtores de Mel de Ortigueira (Apomel). O município, por sua vez, se destacou como o maior produtor individual do País no segmento, em 2006, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando produziu cerca de 560 toneladas. Boa parte da produção local segue para exportação. Os Estados Unidos, por exemplo, são grandes compradores. Agora, apicultores locais estão de olho em novos mercados, principalmente o europeu. E o desejo é bem simples: aumentar a rentabilidade.
Para isso, estão buscando capacitação, aperfeiçoando o processo de produção e reestrurando as propriedades para conseguir atender esses novos consumidores, bem mais exigentes. A ideia é agregar valor ao produto para poder viabilizar a comercialização. ''Para começar, a gente quer voltar a ser o primeiro município produtor de mel do País'', avisa a presidente da Apomel. Ortigueira, perdeu o posto em 2007 quando a produção caiu para 300 toneladas.
O principal projeto da associação, contudo, é mesmo conseguir exportar para novos países e de forma direta, sem depender de entrepostos. Ana conta que desde que assumiu a Apomel, em meados de 2009, trabalha para conseguir que a entidade tenha sede própria. Além disso, estuda a possibilidade de transformar a associação de produtores em cooperativa. ''É uma maneira da gente conseguir exportar direto do produtor, sem ter que passar por entrepostos'', avalia.
Há ainda o projeto para a construção de uma casa do mel dentro dos padrões do Ministério da Agricultura e do Abastecimento (Mapa) para que os pequenos produtores de Ortigueira possam envazar e vender o mel. A presidente da Apomel pontua que pensar e estudar esses projetos têm sido possível por conta do apoio que a entidade recebe de órgãos como o Sebrae, que atua por meio de consultorias focadas na melhoria de gestão e uso de tecnologia, e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que oferece capacitação.
Processo de exportação
Segundo Ana, os produtores que pretendem exportar precisam mesmo adequar a propriedade. É fundamental reestruturar o espaço onde manipulam o mel - retiram do favo, decantam e embalam -, conhecido como Unidade de Beneficiamento do Mel (UBM), dentro das normas do Mapa. Somente dessa forma, acrescenta ela, o apicultor consegue o alvará de funcionamento e ganha do ministério o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que é a comprovação de que o processo ocorre dentro de determinados padrões. Para alguns países da Europa, por exemplo, é imprescindível o selo do SIF em alguns produtos.
Ana é apicultora desde 1984 e exporta a produção há mais de um ano por meio de um entreposto. Em 2009, vendeu ao mercado externo todas as 19 toneladas do mel que produziu. ''Decidimos exportar porque o preço pago pelo produto era maior'', admite a produtora, que tem hoje cerca de 40 apiários espalhados pela região, somando 3 mil colmeias. Além de Ana, trabalham no Apiário Modelo o marido, Leonides Kutz, os dois filhos do casal e empregados diaristas.
No momento, conforme ela, o preço pago pelo seu produto no mercado interno é em média de R$ 3,80, o quilo, já no exterior o valor supera os R$ 4,50. ''Brasileiro não coloca muito o mel na mesa, acha que o produto só serve para remédio'', lamenta. Uma das intenções futuras da Apomel, inclusive, é promover o consumo do mel no País.


