Polêmica sobre a venda da soja neste momento
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sexta-feira, 11 de julho de 2003
Reportagem Local 
O empresário José Pitolli, de Cornélio Procópio, não concorda com a análise sobre tendência da soja, feita neste jornal, na semana passada, pelo analista André Pessoa, da Agricunsult. André previu um período de preços mais baixos que os praticado no ano passado - com o apoio do câmbio -, e sugeriu que os produtores devam vender a produção antes de novembro. Em outubro os preços já começam a cair, disse André, pois esta é a tendência do mercado internacional, depois de conhecer o tamanho dos estoques de soja dos Estados Unidos, Brasil e Argentina.
Segundo Pitolli, uma análise do histórico de 20 a 25 anos, vai mostrar que o comportamento do mercado interno esteve desvinculado dos preços internacionais. Lembrou que o mercado interno chegou a praticar ágios de até 25% em relação à paridade de exportação. Ele até concorda que este ano possa ser diferente porque o produtor vem retendo o produto - afinal, até agora a comercialização da safra só atingiu 62% da produção - mas não deve haver tanta perda, na sua opinião. No entanto, esta não é a questão principal. O que Pitolli questiona é se o agricultor deve ou não sair correndo para vender a soja. Ele acha que não.
O agricultor até deve vender a soja sim - segundo Pitolli - mas se for para investir o dinheiro na compra de insumos.
Ajuste do câmbio - Para Pitolli, a economia brasileira está perdendo fortunas por falta de um ajuste cambial. Empresários do setor exportador defendem um ajuste técnico, se o governo não quiser virar o ano com a economia em forte recessão. Um ajuste agora vai transparecer daqui a três meses.
Ele fez a seguinte comparação para mostrar o quanto a economia está perdendo com o dólar ''superficialmente baixo''.
Ao câmbio atual, se temos US$ 11,70 numa saca de soja, logo nós temos R$ 1,17/saca a menos no bolso do produtor. Jogando isso para toda a cadeia do agronegócio, a perda vira um bola de neve.
Com um câmbio a R$ 3,00/US$ 1,00, a diferença de 10 centavos de reais num dólar, multiplicada pela quantidade de soja que está por ser comercializada, também somaria fortunas.
Em outro exercício tem-se a soja a US$ 13,27/saca - com base no fechamento de ontem da Chicago Board of Trade (US$ 6,0175/bushel) e um câmbio supostamente a R$ 2,90, temos aí bem mais 10 centavos de real/dólar do cálculo acima. Para quem tem mais de 38% da safra para ser comercializada, o valor é muito alto.
O dólar foi desvalorizado perante o euro em 12%, quando da guerra no Iraque. Se igual percentual for jogado sobre o real, o dólar hoje teria de estar valendo 3,23 e não 2,89.
Comparando com o Euro, a saca de soja a US$ 11,70 representa uma perda maior: R$ 3,97, considerando aqui a desvalorização de 12% do dólar diante do euro.


