Obter uma genética superior, evitar a extinção de espécies animais, produzir animais transgêneses, de estimação ou em escala comercial, são os principais motivos apresentados pelos pesquisadores para utilizar a técnica de clonagem em animais. O assunto polêmico em todo o mundo, foi discutido por especialistas na semana passada, em Londrina, durante congresso de zootecnia.
Apesar de pesquisas anteriores (a idéia de clonagem surgiu em 1938 quando Hans Spermann, embriologista alemão - Nobel de Medicina, 1935 - propôs um experimento que transferiria o núcleo de uma célula em estágio tardio de desenvolvimento para um óvulo), o tema clonagem veio à tona com o nascimento da ovelha Dolly em 1997, clonada a partir de células congeladas de uma ovelha. Considerado o marco de uma nova era biotecnológica, esta foi a grande inovação - e que criou a grande repercussão do caso - um clone originado não de uma célula embrionária, mas sim de uma célula mamária.
Posteriormente à ovelha mais famosa do mundo surgiram clones de bezerros, cabras, camundongos, porcos e macaco rhesus. Hoje a corrida tecnológica da clonagem tem como países líderes os Estados Unidos, Escócia, Inglaterra, Japão, Nova Zelândia e Canadá. Gatos, porcos, mulas (que teoricamente são estéreis) e éguas (onde a própria doadora da célular foi a receptora), figuram na lista de clonagens em todo o mundo.
No Brasil, pesquisadores consideram o tema bastante avançado. Segundo o professor doutor Joaquim Mansano Garcia, médico veterinário da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), integrante da equipe responsável pela clonagem da da ovelha Penta, em 2002, a diferença com países tradicionais na pesquisa é muito pequena. ''Temos técnicos brasileiros com formação no exterior e hoje, a facilidade da comunicação, com a Internet, ajuda a avançar ainda mais''.
Só para se ter uma idéia, o mercado de produção ''in vitro'' no Brasil é de 200 mil a 300 mil embriões por ano. Desse total, mais de 90% são destinados às raças zebuínas, enquanto menos de 10% são destinadas às raças européias ou mestiças.
Garcia acredita que o impacto maior é o nascimento de animais com malformação. Ainda hoje os distúrbios estão presentes e o índice de mortalidade é considerado grande nas pesquisas com animais, com altas taxas de mortes embrionária, fetal e neonatal. Os animais também apresentam peso 25% acima da média da população clonada (doadora). ''A tecnologia é avançada, mas ainda temos que conviver com isso''. Considerando a clonagem em termos humanos, Garcia acredita que ''será muito difícil aceitar o processo, com possibilidades de erros''.
O professor alerta que o grande problema não está na clonagem, que são cópias genômicas e sim, na modificação das células humanas. ''Na verdade os transgênicos são mais problemáticos e podem levar a um desequilíbrio populacional, já que faz a modificação com base no que já existe. A questão é saber para que estão voltados os animais transgênicos''.
A questão ética, segundo o pesquisador, deveria ser contrária. ''O que acontece hoje é que primeiro são feitas as pesquisas e depois as leis vêm atrás para organizar. A ética tem que partir de um bom senso, calcular os benefícios e malefícios que sempre se apresentarão''.

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